Nelinho comemora 40 anos da estreia pelo Galo, relembra passagem e analisa momento atual

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Há exatos 40 anos, neste mesmo 2 de maio, estreava com a camisa do Atlético um dos principais personagens da história do clube alvinegro. Nascido no Rio Janeiro, mas apaixonado por Minas Gerais, Manoel Rezende de Matos Cabral, o Nelinho, foi contratado junto ao rival Cruzeiro, curiosamente, seu primeiro adversário. Ele chegou ao alvinegro após ser preterido pelo técnico técnico Yustrich, seu desafeto e que tinha o classificado como  “laranja podre” no balaio cruzeirense.

Adquirido pelo Galo por 20 milhões de Cruzeiros Novos, (moeda da época), o ex-lateral direito permaneceu no clube por seis temporadas, e marcou seu nome entre os protagonistas, com 274 partidas realizadas e 52 gols marcados. Dono de um chute forte e letal para os goleiros, ele se tornou ídolo da Massa, mesmo vindo ‘do outro lado da Lagoa’. 

“Realmente,  deu muito o que falar porque não era comum. Se não me engano, foi a primeira vez que um jogador saía de clube para o outro vendido. Deu muito bochicho, principalmente para mim que saí de um clube que não me queria mais, esta é a realidade. A partir do momento que o Atlético demonstrou interesse, fui para lá e foi vida nova. Tenho certeza de que, se naquela época eu tivesse trocado o Cruzeiro por outro clube, eu não teria ido com a mesma disposição de demonstrar o que eu demonstrei lá. Foi um desafio muito grande ir para o Atlético. Foi bom para todo mundo”, destaca Nelinho em entrevista exclusiva à Itatiaia.

“Toda conquista que tive jogando pelo Atlético, todas em estaduais, foram importantes, porque a rivalidade sempre foi muito grande. Infelizmente, não chegamos numa final do Campeonato Brasileiro, batendo na trave em três anos consecutivos. Poderíamos ter ido para uma final, o que coroaria o trabalho e o investimento feito pelo Atlético na época”, acrescenta.

Radicado em BH, Nelinho completará 72 anos em julho, mas segue esbanjando boa forma física. Nesta segunda-feira (2), inclusive, irá até a casa de um amigo, onde toda semana faz aquela velha e boa disputa no futevôlei, da qual não abre mão por nada. Ele também é dono de uma academia na capital.

Perguntado sobre a parceira que teve com Éder Aleixo nos tempos de Galo, Nelinho logo relembra de um fato curioso: eles tiveram uma briga que, num programa de televisão, dia após o confronto, acabou sendo solucionada.

“Meses antes de ir para o Atlético, eu tive uma briga com o Éder em campo. Mas aquilo foi sanado logo no dia seguinte, num programa de televisão. Ele estava na seleção, disputando a Copa, quando eu cheguei ao Galo. Quando ele voltou, era meu companheiro de quarto. Engraçado que chegava no jogo, quando saía falta, não havia disputa. Um incentivava o outro e deu certo muitas vezes. Lembro de uma coisa muito interessante que aconteceu”, relembra Manoel Rezende de Matos Cabral.

“No nosso primeiro clássico contra o Cruzeiro, quando saiu uma falta para eles, a torcida do Atlético gritou o meu nome, gozando os cruzeirenses que não me tinham mais. E quando saía uma falta a favor do Galo, uma parte gritava ‘Nelinho, Nelinho, Nelinho’ e logo em seguida ‘Éder, Éder, Éder’; depois, ‘Qualquer um, qualquer um, qualquer um’. Foi de arrepiar”, vai além.

Momento atual

Para finalizar a entrevista, Nelinho também deu sua opinião sobre o atual momento do Atlético, agora comandado pelo argentino Antonio Mohamed, El Turco, que herdou um time multicampeão deixado pelo curitibano Cuca.
“Vejo o Atlético entre os melhores em relação ao elenco. Individualmente falando, Atlético, Flamengo e Palmeiras são os mais fortes neste momento, mas isso não garante nada. Dentro de campo é que se decide. Principalmente os treinadores de fora, demoram a entender o futebol brasileiro e os clubes que estão dirigindo e, por este motivo, quando começa a entender, já é tarde”, opina o ex-lateral.

Todos os clubes que trouxeram treinadores de foram passaram por isso e, no Atlético, muito mais. O Palmeiras, por exemplo, já tem um há mais tempo e conhece elenco e o futebol brasileiro. Galo e Flamengo estão sofrendo muito mais. Na hora da substituição ou de escalar o time, os torcedores não entendem. Ele, por sua vez, faz baseado naquilo que viu durante a semana nos treinamentos. O Atlético pode ser bicampeão, como pode não ser, principalmente por disputar outras competições ao mesmo tempo”, finaliza.

Fonte: Rádio Itatiaia

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