GLAUCIUS DETOFFOL BRAGANÇA – Estatísticas das eleições e a nossa realidade – 10.000 destinos 

 2,863 Visualizações

As eleições municipais de 2020 seguiram os “números” que observamos nas últimas eleições:

  • Muita abstenção, votos nulos e brancos.
  • Diminuição abrupta de representantes de partidos de esquerda. Destacando-se o PT, até então um dos maiores partidos em representação.

Abstenções | Votos Brancos e Nulos

Cinco extinções em massa / Quatrocentas humanidades / E eu com esses números?

No 1º Turno não compareceram às urnas 23,14% dos cidadãos. Já a abstenção média verificada no 2º turno alcança 29,5% da população votante. É o maior índice já registrado.

Segundo TRE-MG, nas eleições de 2016 o Estado de Minas Gerais apresentou 18,32% de ausência. Neste ano, o número é superior (23,20%).

Segundo o TSE, a abstenção em todo território nacional alcançou 23,09% dos eleitores.

O perfil dos ausentes apresentados pelo TSE aponta para pessoas que possuem entre 21 e 39 anos de idade, solteiros e com ensino médio completo. Sendo certo, ainda, que o número de mulheres faltantes foi maior que o número de homens.

No segundo turno, os votos em branco foram menores que os votos nulos. No entanto estes votos foram significantes.

Segundo TRE-MG as eleições de 2016 no Estado de Minas Gerais apresentaram votos brancos e nulos à ordem de, aproximadamente, 15%. Neste ano, o número é superior.

Curiosidade: no primeiro turno o número de abstenções, votos em branco e nulo superaram os votos do primeiro colocado para Prefeito em 483 cidades do país.

Dança dos Partidos

E eu… o que faço com esses números? / Sete vidas / Mais de mil destinos / Todos foram tão cretinos / Quando elas se beijaram

Em 2016 o PT perdeu 60% de seus municípios governados. Agora encolheu mais 28%. Do número total de cidadãos governados no país, o PT governará população inferior à da cidade do Rio de Janeiro. Sem contar que é a primeira vez desde a redemocraticação que o PT não governará nenhuma das 26 capitais brasileiras.

Mas não é só! O tradicional PT ainda sofre revés ideológico. Na primeira entrevista concedida pela Prefeita Eleita Marília Campos (Contagem-MG) deixou claro: “(…) a minha expectativa é de que a gente se relacione institucionalmente tanto com o governo do Estado quanto com o governo Federal porque a relação entre entes federados não pode ser uma relação de oposição”.

Em contrapartida, se destacaram o MDB (que mais conquistou prefeituras) e o DEM (que mais cresceu). O PSDB, apesar da queda verificada, continua o partido que mais governa pessoas em nosso país.

Veja o quadro geral de prefeituras governadas por partidos nas últimas eleições, segundo o TSE:

CONCLUSÃO

  1. Praticamente, 1 a cada 4 brasileiros deixou de comparecer às urnas em 2020.
  1. Em média, a cada 100 brasileiros que votaram, 15 deixaram de escolher algum candidato.
  1. Partidos de esquerda foram acometidos de derrotas significativas em primeiro e segundo turnos.
  1. A pandemia influenciou nos resultados, mas não da forma esperada.

O Fórum Econômico Mundial reiteradamente avalia o nível de confiança da população em seus governantes. Tal medida é de grande valia para analisar a competitividade econômica entre países. Em 2008 o Brasil estava em 122º dos 134 participantes. Em 2013 ocupávamos a posição 136º em 148 verificados. Já em 2017, estávamos em último dos 137 países ouvidos.

Por assim ser, temos por certo que a descrença dos brasileiros em seus representantes continua sendo o maior obstáculo para o eleitor se ver motivado e escolher um candidato.

Mas não é só!

Em nosso país viemos momento político de polarização em desequilíbrio. Ou seja, partidos de centro-direita e direita ocupam lugares de destaque. Ao passo que partidos de centro-esquerda e esquerda se verificam em declínio contínuo. Isso é péssimo!

Inexistindo equilíbrio de forças sequer podemos falar em polarização, mas sim sobre uma alcançável e possível unanimidade. Especialmente, ao constatarmos que a força representativa dos partidos impõe sua importância real.

Por fim:

Esperava-se que a Pandemia pudesse trazer significativa ausência de pessoas insertas em grupo de risco, especialmente, aqueles detentores de maior idade. No entanto, tal situação somente se torna verdadeira ao observarmos grupos de pessoas de 75 anos em diante. No entanto, o total representa apenas 3,46% das ausências verificadas.

Os números por si só não valem. Porém ganham importância quando refletimos que muitos de nós não nos preocupamos com o próximo ou conosco. Prova disso são as abstenções, votos em branco, nulos ou ainda em possível decréscimo/ausência de quem realmente representa os seus interesses.

Estamos em pleno início de voo para um novo ciclo de administração municipal. Devemos repensar o que queremos e que devemos querer escolher quem nos representa.

A medida de amar é amar sem medida / Preparar pra decolar / Contagem regressiva
A medida de amar é amar sem medida

Fale com o colunista: [email protected]br – www.guerraebraganca.com.br

LEIA MAIS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.