BR-381 – Duplicação da rodovia não soluciona escoamento da produção

Um dos trechos em obras na BR-381 – Foto: Arquivo Via

O projeto de duplicação da BR-381, que já deveria estar concluído neste ano, continua a ser um dos gargalos da logística mineira e nacional. Na lista de projetos de infraestrutura anunciados pelo governo federal, que estão em curso ou em fase inicial de implantação, a rodovia que corta o Estado em direção ao Espírito Santo é uma obra que poderá melhorar a circulação de cargas e pessoas, mas não será suficiente para reduzir os problemas do sistema logístico do Estado, a médio e longo prazos.

 
Essas são algumas das informações do primeiro relatório da Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transportes da Fundação Dom Cabral (PILT/FDC). O projeto foi lançado ontem.
 
Supercomputadores
A Plataforma utiliza supercomputadores para fazer a gestão de um banco de dados georreferenciados de diversos órgãos públicos e entidades parcerias. O monitoramento completo de tráfego e das cargas que percorrem 195,2 mil km de rodovias, 19,7 mil km de ferrovias, 16,7 mil km de aquavias (hidrovias e cabotagem), 30 portos e 5,2 mil km de dutovias, entre oleodutos e minerodutos em âmbito nacional subsidia simulações multivariadas do cenário logístico nacional.
 
O professor da FDC e responsável pelo projeto, Paulo Resende, adiantou que, mesmo que todas as obras previstas para o Brasil estiverem concluídas e em operação em 2025, as condições logísticas tendem a piorar. “Os mapas da infraestrutura nacional, em 2025, estão mais críticos que o atual e a previsão para 2035 vai depender do que já estiver sido feito até então”, declarou. 
 
O estudo aponta que o Brasil cresce na direção do interior, em função das grandes cargas de minério de ferro e do agronegócio. No entanto, as rotas ainda estão concentradas na região próxima do litoral. 
“A concentração de fluxos no Sul, Nordeste, passando pelo Sudeste e Centro-Oeste não permite que o país tome a decisão brusca de partir para os setores ferroviário e hidroviário. É necessário planejar a infraestrutura a longo prazo. Se o Brasil planejar a curto prazo, não será possível romper com o sistema rodoviário e, caso isso ocorra, haverá graves problemas econômicos, a exemplo do que aconteceu durante a greve dos caminhoneiros”, frisou.
 
Ainda conforme o professor, não se pode colocar a infraestrutura no conceito de curto prazo. “Ao falar assim, entrega-se as decisões da área para ideologias e pensamentos subjetivos”, enfatizou. Com a oferta e ampla divulgação de dados técnicos e confiáveis para a sociedade, a proposta da PILT é contribuir para o planejamento a longo prazo dessa importante área que demonstra o grau de desenvolvimento do país.
 
VOLUMES
O PILT/FDC também fez projeções sobre a distribuição do transporte de cargas pelos modais que compõem a logística nacional. O volume de cargas que era de 1,90 bilhão de toneladas úteis (TU) deve alcançar a marca de 2,29 bilhões de TU em 2025. A expectativa para 2035 é atingir 2,68 bilhões de TU, com crescimento de 40,5% no intervalo de 20 anos. 
 
A produção de transporte, no mesmo período, vai saltar de 1,37 trilhão de toneladas quilômetros úteis (TKU) em 2015 para 1,69 trilhão de TKU em 2025. A projeção para 2035 é de 1,95 trilhão de TKU, um incremento de 42,3%.

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