Com ares shakespearianos, Game of Thrones abandona conflitos sobrenaturais e volta às tormentas políticas

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Ameaça que dava o tom da série desde a primeira temporada, a “longa noite”, enfim, terminou em Game of Thrones. Morto pela valente Arya Stark (Maisie Williams), na épica batalha de Winterfell, o Rei da Noite e sua horda de zumbis já não ameaçam a humanidade. O que os homens temem agora? Outros homens. Sobretudo, uma mulher: a maquiavélica Cersei Lannister (Lena Headey), atual ocupante do Trono de Ferro. Exibido neste domingo (05/05), o quarto capítulo desta oitava fase não deixa dúvidas: o grande conflito do show, agora, é político, recheado de intrigas, conspirações, disputas, tramoias, loucuras, entre outros temperos shakespearianos. 
 
Artifício largamente utilizado pelos roteiristas até a sexta temporada, as mortes impactantes e inesperadas de personagens queridos também estão de volta, sugerindo que o desfecho da maior produção da história da TV mundial tem boas chances de escapar da obviedade e da monotonia que tanto temem os fãs. 

Brinde dos sobreviventes

HBO/Divulgação
(foto: HBO/Divulgação)

As primeiras cenas são fúnebres – porém, muito mais iluminadas que as do episódio anterior, marcado por uma fotografia escura, que gerou uma enxurrada de críticas dos espectadores à HBO. Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) chora sobre o corpo Sor Jorah Mormont (Iain glen), seu braço direito, que morreu para defendê-la. Sansa Stark (Sophie Turner) sente a morte de Theon Greyjoy (Alfie Owen-Allen), o “filho pródigo” de Winterfell que também foi morto no confronto com os caminhantes brancos. Outros milhares de corpos aparecem em pilhas e são queimados sob emocionado discurso de Jon Snow (Kit Harington). [pro_ad_display_adzone id=”44899″ align=”right”]

 
Passado o momento de luto, vem a celebração da vitória. Num breve momento de respiro do episódio, Danny, Jon, Jaime Lannister (Nikolaj Coster Waldau), Tyrion (Peter Dinklage), Tormund (Kristofer Hivju) e sua turma de selvagens bebem e se divertem descontraídos em banquete montado para festejar a derrota dos mortos-vivos. 
 
Benevolente, a mãe dos dragões aproveita a ocasião para dar um presente a Gendry (Joe Dempsie), filho bastardo do finado rei Robert Baratheon (Mark Addy). Ela decide ignorar a falta de “pedigree” do garoto e concede a ele o título de lorde de Ponta Tempestade. A festa, porém, reservaria ainda ao rapaz um belo pé na bunda. Apaixonado por Arya, com quem transou dois capítulos antes, ele corre até a amada para contar a novidade e convidá-la para se tornar a lady de Ponta Tempestade. Fazendo jus ao seu espírito guerreiro, a moça recusa a proposta e, como prêmio de consolação, dá três beijos no pretendente. 
 
Jaime, por sua vez, tem mais sorte com Brienne (Gwendoline Christie). A longa dança do acasalamento iniciada pelo casal na quarta temporada finalmente rende sexo. A cena, aliás, parece inspirada num roteiro de filme pornô – não por ser explícita, mas pelo argumento lugar-comum. “Você não acha que está muito calor aqui?”, diz Jaime à Brienne dentro do quarto dela, sugerindo que os dois tirassem a roupa e consumassem o ato. O relacionamento, no entanto, dura pouco. Tão logo o cavaleiro sente que Cersei, sua irmã-amante, tem chances reais de morrer, parte desembestado à cavalo para os braços dela. 
 
As duas prometem levar a confidência para o túmulo, mas o pacto não vinga. Desconfiadíssima em relação à Danny desde de a chegada dela a Winterfell, Sansa divide o segredo com Tyrion. O anão, por sua vez, repassou à informação à Lorde Varys (Conleith Hill), o que dá início a um jogo de fofocas e conspirações. 

Surpresas e danos

HBO/Divulgação
(foto: HBO/Divulgação)

Toda essa ambientação toma cerca de três quartos do episódio, cuja duração total é de 1h20. A partir de seus 20 minutos finais, o show se volta para o confronto entre Daenerys e Cersei, momento em que oferece uma interessante virada.

 
A primeira, logo na chegada da mãe dos dragões à cidade à Porto Real. Acompanhada de seus dois mostrengos e um exército vencedor, que acabava de derrubar ninguém menos que o Rei da Noite, Danny chega confiante à fortaleza de Westeros. Mal sabia ela, no entanto, que a rainha má estava mais do que preparada para recebê-la. Sem chance de cuspir uma única labareda contra o exército de sua inimiga (reforçado pela frota de Euron Greyjoy, além dos soldados mercenários da Companhia Dourada), a loira perdeu mais um de seus dragões, Rhaegal. O animal foi atingido por três grandes dardos desenvolvidos por  Qyburn (Anton Lesser), médico-mago e vice-rei de Cersei . A artilharia, posteriormente, se voltou contra os navios de Danny, o que acabou culminando na captura de Missandei (Nathalie Emmanuel). 
 
Abalada pela derrota, Daenerys começa a se transformar. De volta à pedra do Dragão, a rainha misericordiosa que priorizava a liberdade e a libertação do povo da tirania dos Lannister cogita invadir Porto Real a qualquer custo – incluindo torrar meia cidade com as chamas de Drogon, seu último dragão. 

Após muita insistência de Tyrion e Varys, ela finalmente aceita tentar negociar a rendição de sua adversária e, assim, poupar milhares de vidas inocentes. Ocorre que Cersei é de pouca conversa e zero piedade. Sem nem tomar conhecimento das propostas da Danny, impõe as suas próprias condições: ela que se renda e o faça imediatamente. Caso contrário, Missandei será decapitada. Tyrion ainda tenta apelar para humanidade da irmã para evitar a tragédia, sem sucesso. Chegamos ao fim do capítulo com a cabeça da tradutora rolando pelas muralhas de Porto Real. 

Enquanto isso, na cabeça do público, algumas questões começam a pipocar, tais como: 

  • Estaria Danny seguindo os passos de seu pai, Aerys II, que, enfeitiçado pelo poder, acabou se transformando no Rei Louco? Em algum momento passaremos a deixar de torcer para ela e desejar que Jon Snow ocupe o trono?
  • O final de Game of Thrones pode estaria nos reservando uma última e grande reviravolta?
Cenas que acompanharemos nos próximos três domingos, full HD. 

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