Cultura, TV

Série “Unsolved” revela as tretas do crime que abalou o mundo do hip-hop

Trama policial se baseia em fatos reais, mas não se limita aos assassinatos de Tupac Shakur e The Notorius B.I.G

Uai | Foto: Netflix divulgação

O título já quase é spoiler: Unsolved – não resolvido. Disponível na plataforma Netflix, esta série de ficção não se limita à execução de Tupac Shakur e The Notorius B.I.G, astros do rap assassinados em Las Vegas e Los Angeles, respectivamente, em 1996 e 1997. Teorias da conspiração, livros, filmes e documentários já abordaram os crimes – sem culpados até hoje. Porém, Unsolved acerta em não “mirar” nos dois garotos talentosos e milionários que perderam a vida aos 20 e poucos anos. Aqui, os astros são Russel Pole (papel de Jimmi Simpson, de Westworld) e Greg Kading (Josh Duhamel, de Transformers), agentes que arriscaram tudo – mas tudo mesmo – para cumprir seu dever, enfrentando a própria corporação e sacrificando a vida pessoal.

Unsolved se baseia em fatos reais. Mantém o nome dos tiras de verdade. Com suas 1.001 pistas, a trama policial mais parece aquelas boas (e enormes) letras de rap, que nos deixam tontos com sua overdose de referências, diálogos, gírias, palavrões e ambiguidades. Mas é só ficar ligado. Logo nos acostumamos com o “tiroteio”.

A trama entrelaça três eixos: os últimos momentos dos rappers, interpretados por Marcc Rose (a cara de Tupac) e Wavvy Jonez; a investigação realizada nos anos 1990 por Russel Pole; e a força-tarefa comandada por Greg Kading, na década de 2000, quando o caso foi reaberto depois de Voletta Wallace, mãe de Notorius, processar a cidade de Los Angeles por acreditar no envolvimento da polícia na morte do filho.

O emaranhado de pistas garimpadas por Pole e Kadin envolvem a rixa entre os dois ex-amigos e ícones do rap, o “lado B” do black power (negros matam negros sem dó), a violência da polícia contra niggas, a promíscua relação dos tiras com gente graúda do submundo e a guerra das gangues do Leste e do Oeste dos EUA. Até hoje, fala-se que B.I.G estava envolvido na execução de Tupac. Porém, há (muitas) controvérsias. É de se estranhar que os assassinatos de duas celebridades deram em nada, sobretudo num país em que a taxa de esclarecimento de homicídios é de 66%, entre as mais altas do mundo.

Infelizmente, hits de Tupac e B.I.G ficaram fora da trilha sonora de Unsolved por causa de direitos autorais. Mas estão lá Wu-Tang Clan e Slick Rick, além de Aretha Franklin (Bridge over troubled water) e Don Mc Lean (Vincent). Aliás, essa canção de Mc Lean embala uma das cenas mais bonitas da série, que acerta em trazer à tona o drama das mães de Tupac e Notorius. A atriz Aisha Hinds emociona como a obstinada Voletta, assim como Sola Bamis no papel de Afeni Shakur, a ex-militante do grupo Panteras Negras.

Em julho, a ficção “surpreendeu” a realidade. Mais uma vez, o caso foi reaberto, agora com base na entrevista do ex-traficante Keefe D. à equipe de Unsolved. Ele admitiu que estava no carro de onde partiram os tiros que mataram Tupac. Porém, não revelou o nome do atirador. Decidiu contar o que sabe porque sofre de câncer terminal, mas deixou claro: não desafiará a lei do silêncio – o código das ruas.

UNSOLVED

• De Kyle Long
• Diretores: Anthony Hemingway, Kate Woods, Ernest R. Dickerson, Darren Grant e Erica Watson
• Dez episódios em cartaz na Netflix

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