Em meados de abril, o Ministério da Saúde já havia alertado a população quanto à falsa notícia. Mas diante de tantas dúvidas em Minas Gerais, a Secretaria de Estado da Saúde soltou uma nota negando a existência de um vírus novo que tenha sofrido mutações. “Todas as informações sobre a influenza são divulgadas de forma transparente, tanto no site da SES-MG, quanto no do Ministério da Saúde, por meio dos boletins epidemiológicos”, explica a diretora de Vigilância Epidemiológica da SES-MG, Janaína Fonseca Almeida.

Janaína Fonseca também reforça que, diferentemente dos alertas propagados sobre novos vírus, como o H2N3, HN1N3 e gripe australiana, que estariam circulando no Brasil e provocando mortes, não existem esses vírus em circulação no país. 

Segundo o Ministério da Saúde, são três os principais vírus da gripe em circulação no país: o influenza A/H1N1pdm09, A/H3N2 e influenza B. A vacina disponibilizada na rede pública na atual campanha é trivalente e protege contra esses três vírus.

Quanto aos boatos de que a Rede Pública de Saúde usa a vacina de 2017 e que não está atualizada com as variações de influenza que circulam neste ano no país, a diretora de Vigilância Epidemiológica ressalta que a vacina ofertada na campanha de 2017 já foi recolhida e que as remessas do imunizante para 2018 já estão disponíveis nos postos de saúde.

Mitos e verdades sobre o tratamento da gripe

01. Chás – “É importante ainda desmitificarmos a informação de que o chá de erva-doce tem a mesma ação do Tamiflu, único medicamento antiviral disponível atualmente para tratar a gripe”, afirma Janaína Fonseca. “Com base em estudos científicos de alta qualidade, o Oseltamivir (Tamiflu) é o único antiviral disponível para tratamento da gripe, agindo sobre a replicação do vírus. Não há como um chá ter a mesma ação de um medicamento sobre a doença e o vírus. O chá serve apenas como medida de hidratação, tratamento complementar nos casos de gripe”, completa a diretora.

02. Gargarejos com água morna e sal – Trata-se de uma receita caseira que auxilia no tratamento da gripe, mas NÃO substitui a proteção da vacina, de maneira alguma. A mistura de água morna e sal tem temperatura e composição química muito parecidas com as do nosso próprio organismo. Quando a água morna entra em contato com a mucosa ferida, seu calor faz com que haja uma dilatação dos vasos sanguíneos do local. Esse aumento da circulação auxilia um número maior de glóbulos brancos a passar do sangue para o tecido afetado, diminuindo a inflamação. Ao adicionarmos sal à água, a mistura fica parecida com a do líquido que temos no corpo, aumentando sua eficácia na remoção do muco que se forma na garganta.

03. Limpar as narinas com água morna e sal – Essa medida auxiliar pode ajudar principalmente pelo fato de manter as mucosas hidratadas.

04. Tomar bastante bebidas quentes – O importante, durante um quadro gripal, é manter a hidratação constante do organismo. Pode ser tanto bebidas quentes, como chás, cafés ou infusões, quanto fria. Essa medida é uma forma de hidratar o organismo e não de eliminar os vírus causadores da gripe.

05. Vacina contém mercúrio e causa autismo e outras doenças – Thimerosal é um preservativo que contém mercúrio e é usado, em pequenas quantidades, em vacinas que contêm múltiplas doses. Essa substância é utilizada nas vacinas para prevenir a contaminação ao se extraírem repetidamente as doses para aplicação. Não há dados que indiquem que o Thimerosal usado nas vacinas tenha causado autismo ou outros problemas individuais. Segundo o FDA/EUA (Food and Drug Administration), não há evidência convincente de danos causados por pequenas doses de Thimerosal como preservativo nas vacinas de Influenza, exceto um ligeiro inchaço e vermelhidão no local da injeção. Um estudo analisando a vacinação com Influenza de mais de duas mil gestantes não demonstrou nenhum efeito adverso, em relação ao feto, associado com a vacina da Influenza.

06. Governo só vacina parte da população para gastar menos – A vacina contra gripe serve para diminuir as complicações e óbitos pela doença, e não os casos em si. Portanto, existem grupos de risco que estão mais susceptíveis a sofrerem complicações secundárias, sendo eles: indivíduos com 60 anos ou mais de idade, crianças na faixa etária de 6 meses a menores de 5 anos de idade (4 anos, 11 meses e 29 dias), gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), trabalhadores da saúde, professores das escolas públicas e privadas, povos indígenas, grupos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional. A vacina pode ser tomada por todos a partir dos 6 meses. No entanto, o Ministério da Saúde disponibiliza hoje somente para os grupos de risco justamente para reduzir o número de complicações e óbitos pela doença.

* Fonte: SES/MG