Em uma festa de aniversário regada a muita droga, bebida e rock’n’roll, segundo a Polícia Militar (PM), uma vendedora de cachorro-quentes, de 21 anos, matou o companheiro com uma facada no pescoço, por volta das 5h de ontem, em Raposos, na região metropolitana da capital.
Ela contou que estava sendo esfaqueada por Wender Antônio Dias de Assis, de 31, quando tomou a faca e o matou em legítima defesa. “Era matar ou morrer”, disse ela, aos prantos. A vendedora sofreu cortes na mão e na perna.
“A festa era regada a muita droga, bebida e rock’n’roll. O homem, que tinha passagens por homicídio, tráfico, uso de drogas e furto, uma ficha criminal longa, teve ciúmes da mulher e começou a bater nela. Ela correu e se escondeu no banheiro e levou uma faca, com medo”, contou o cabo da PM Felipe Fernando Oliveira.

Segundo o militar, o agressor foi à casa dele e retornou com uma arma de fogo. “O povo da festa ficou com medo e trancou o portão. Ele, nervoso, começou a esmurrar o portão, atirou, pulou o muro e voltou para a festa. Entrou quebrou a casa inteira. Destruiu sala, quarto e colocou fogo na cortina. Arrombou a porta do banheiro e começou a bater na mulher. Ela soltou a faca, e ele pegou e começou a esfaqueá-la na mão e na perna. Ela é uma mulher grande e conseguiu tomar a faca dele. Na sequência, a jovem se embolou com ele e deu um golpe mortal na garganta dele, atingindo a veia jugular. O sangue dele esguichou todo, de o corpo ficar branco. Levaram ele para o posto de saúde de Raposos, mas ele morreu”, contou o cabo.
“O casal estava loucão, pirado, muita cachaça e cocaína na cabeça. Há vários boletins de ocorrência de agressão dele contra a mulher”, informou o cabo. A Justiça já havia concedido medida protetiva para a mulher, mas os dois voltaram a morar juntos havia um ano. “Acredito que ela o matou em legítima defesa. Os relatos das testemunhas batem com a versão da autora”, disse o cabo.
Segundo ele, como Wender estava armado, as pessoas tiveram medo de separar o casal.
Depois do atendimento médico, a mulher foi presa por homicídio e levada à Central de Flagrantes do Barreiro (Ceflan). Aos prantos, ela disse ter levado duas facadas. “Eu ia levar uma facada no peito e me defendi. Levei 14 pontos na mão. Estou toda machucada, toda roxa. Ele tinha usado drogas”, contou. Segundo ela, Wender a agredia com frequência, mas ela sempre o perdoava. “Eu poderia estar morta, e a minha família, chorando. Morta por uma briga, ciúme obsessivo. Estou muito arrependida. Eu o amava e o perdoei várias vezes. Meu sonho era constituir uma família, uma vida com ele”, lamentou. Ela negou ter usado drogas.
A Justiça concedeu medida protetiva para a vendedora, por causa das agressões de Wender, mas o casal voltou a morar junto havia um ano. “Ele foi preso, mas eu o perdoei muitas vezes”, disse ela. (O Tempo)
