Conceição do Mato Dentro – Matriz de N. S. da Conceição já tem sacristia e relógio restaurados

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Conceição do Mato Dentro (MG) – Sacristia totalmente restaurada da Matriz de Nossa Senhora da Conceição. (foto: Raiane Vieira / divulgação)

A restauração da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Conceição do Mato Dentro, na Região Central do Estado, iniciada em 2012, começa a mostrar resultados. A sacristia da igreja, que tem quase 300 anos de existência, já está totalmente recuperada. Além dela, um relógio inglês, de mais de 200 anos, que integra o patrimônio do santuário, também foi restaurado, voltando a acionar o sino que marca as horas no município. As duas obras fazem parte do projeto de restauração da igreja, custeada Anglo American. A previsão é que o trabalho completo de restauração seja concluído ao final de 2018.

A primeira estrutura a ficar pronta foi o bicentenário relógio, que voltou a funcionar no final de agosto. De fabricação inglesa, ele estava parado desde 2006. O mecanismo do relógio está programado para tocar a cada hora e a cada meia-hora, variando a combinação das badaladas de acordo com a ocasião. A recuperação do relógio original da Matriz de Nossa Senhora da Conceição tem importância histórica devido à tradição católica de Minas Gerais, que sempre teve nos sinos uma forte referência popular.

A sacristia, uma das estruturas mais importantes da Matriz de Conceição do Mato Dentro, é a segunda etapa a ser entregue no processo de restauração da igreja. O evento de reabertura contou com a presença do secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, Ângelo Oswaldo; do prefeito de Conceição do Mato Dentro, José Fernando Aparecido de Oliveira; do padre João Evangelista dos Santos, responsável pela Matriz; do bispo da Diocese de Guanhães, Dom Jeremias Antônio de Jesus; do promotor de Justiça de Conceição do Mato Dentro, Marcelo Mata Machado; da superintendente do Iphan em Minas Gerais, Célia Corsino; de Dulce Senra, da Cantaria Restauro, responsável técnica pelos trabalhos de restauração da Matriz; de representantes da Anglo American, além da Orquestra Jovem do Palácio das Artes, do Centro de Formação Artística e Tecnológica – Cefart.

Na foto, o secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, Ângelo Oswaldo; a superintendente do Iphan em Minas Gerais, Célia Corsino; o bispo Dom Jeremias, da Diocese de Guanhães; o prefeito de Conceição do Mato Dentro, José Fernando Aparecido de Oliveira; o presidente da Anglo American no Brasil, Ruben Fernandes; e o promotor de Justiça de Conceição do Mato Dentro, Marcelo Mata Machado. (Foto: Raiane Vieira / divulgação)

Alexandre Leal, coordenador de Projetos e Obras da Anglo American, explica que a sacristia será entregue à paróquia com todos os elementos artísticos recuperados: altar do Senhor do Bonfim, pinturas parietais, cimalhas, esquadrias, arcar e o forro da sacristia.

A estrutura da sacristia que demandou maior atenção foi o forro, um trabalho que exigiu técnica, conhecimento, cuidado e paciência por parte da equipe de restauração, uma vez que décadas de abandono deixaram estragos comprometedores. “Uma das dificuldades que enfrentamos foi o grande número de manchas escuras no forro, causadas pelas infiltrações de água de chuva. Elas danificaram muito o forro”, lembra Dulce Senra, da Cantaria.

Além disso, intervenções feitas anteriormente, desde o século XIX, ainda que com as melhores intenções, revelaram-se desastrosas a longo prazo. “Em diversos momentos, tivemos dificuldade para entender o que eram as ´correções´ que haviam feito, que modificaram os desenhos originais”, recorda Dulce. O forro da sacristia já havia sido retirado do teto antes mesmo de serem iniciadas as obras de restauração da Matriz de Conceição do Mato Dentro. Em 2005, a peça foi removida por estar bastante comprometida, a ponto de correr risco de desabar. O motivo: as infiltrações e as infestações de insetos danificaram seriamente sua estrutura, que foi limpa, desinfestada e acondicionada envolta em um guarda-pó para que não fosse ainda mais afetada.

Alexandre Leal lembra do estado do forro quando os trabalhos de restauração da igreja começaram, em 2012. “Havia enormes manchas escuras e escorridos provocados pelo tempo em que o forro ficou exposto às águas de chuva. A camada pictórica, por ser muito fina, também sofreu muita perda por tanto tempo em contato com a umidade”, descreveu. A peça é composta de 66 tábuas e mede, ao todo, cerca de 9 metros de comprimento por 4 metros de largura. Leal lembra que, além do forro, as pinturas parietais da sacristia também demandaram muito trabalho e técnica. “Estes elementos não possuíam repinturas. A pintura existente é original, com muito valor artístico. Estamos investigando o autor da obra, que ainda é desconhecido”, acrescenta.

Restauração a todo vapor

Com cerca de três séculos de história, a igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição está sendo restaurada desde 2012. Depois de uma pausa de dois meses no segundo semestre do ano passado para instalação do Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas e do Sistema de Proteção Contra Incêndios, os trabalhos de restauração da igreja estão a todo vapor.

A previsão de entrega é dezembro de 2018. Quando isso acontecer, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição vai revelar um dos monumentos mais significativos do barroco brasileiro. Passará a figurar como uma das mais importantes igrejas coloniais de Minas Gerais, ao lado de marcos relevantes do ponto de vista histórico-cultural em Conceição do Mato Dentro, como as Igrejas do Rosário e de Santana, o Santuário do Bom Jesus do Matozinhos, o mercado municipal, a Escola de Artes e Ofícios para Tapetes Arraiolos, o Casarão da Prefeitura (restaurado pela Anglo American), a Casa de Cultura e a Casa do poeta Alphonsus de Guimaraens.

Ao todo, são cerca de 30 pessoas trabalhando diretamente no local. Capitaneando o grupo, está a restauradora Dulce Senra, da Cantaria. A coordenação das obras está a cargo de Alexandre Leal, coordenador de Projetos e Obras da Anglo American. A equipe conta com um engenheiro consultor, um arquiteto, 11 restauradores, cinco auxiliares de restauração, um encarregado, um marceneiro, dois carpinteiros, um pedreiro e três ajudantes. Alexandre Leal ressalta que, depois de ser apresentada, a sacristia ainda não estará aberta à visitação pública, já que o restante do edifício continua em obras de restauração.

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