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Conselho de Segurança da ONU rejeita pedido russo de condenação a ataques na Síria

Apenas a Rússia, a China e a Bolívia votaram a favor do projeto de resolução. Oito países votaram contra a proposta, enquanto quatro se abstiveram.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas rejeitou neste sábado (14) resolução russa que pedia uma condenação dos ataques à Síria. A minuta da resolução proposta pela Rússia considerava que o ataque dos EUA e de aliados ao regime sírio representa uma violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

Na resolução, a Rússia pedia ainda às três nações que orquestraram o ataque (França, Reino Unido e Estados Unidos) que evitassem no futuro o uso da força contra o regime de Bashar al-Assad.

Contudo, o pedido russo não vingou no Conselho de Segurança. Isso porque apenas a Rússia, a China e a Bolívia votaram a favor do projeto. Oito países votaram contra a proposta, enquanto quatro se abstiveram. As informações são da agência Efe e Reuters.

Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU precisa de nove votos a favor e nenhum veto pela Rússia, China, França, Reino Unido ou Estados Unidos para ser aprovada.

A ofensiva dos Estados Unidos e aliados foi orquestrada após controvérsias envolvendo o uso de armas químicas pelo regime de Bashar al-Assad.

Por isso, de acordo com os EUA e aliados, a ação teve por dentre seus alvos centros de pesquisa relacionados à produção desses armamentos. Tanto a Síria como seus aliados negam as ofensivas com armas químicas.

Após o ataque, o Exército sírio informou que a ação deixou três civis feridosapós alguns mísseis que estavam indo para uma posição militar em Homs serem desviados de sua trajetória. O Pentágono, por sua vez, diz que não há vítimas.Centro de pesquisa científica na Síria, destruído após ataque coordenado de EUA, França e Reino Unido, em 13 de abril de 2018 (Foto: Omar Sanadiki/Reuters)

Na ação, três alvos foram atingidos, segundo o Pentágono: um centro de pesquisa e produção de armas químicas e biológicas em Damasco, um armazém de armas químicas em Homs (a leste de Damasco) e uma base na mesma cidade que também teria armas químicas.

No total, 105 mísseis foram lançados contra os três alvos na Síria, ainda segundo o Pentágono. É quase o dobro da quantidade de armamento usada no ano passado, quando os norte-americanos reagiram a outro ataque químico atribuído ao regime de Assad que deixou 86 mortos.EUA, Reino Unido e França bombardeiam alvos na Síria (Foto: Betta Jaworski/G1)

Nações sobem o tom após ataque

O ataque na Síria tem colocado Rússia e Estados Unidos em posições antagônicas, com ambas as nações subindo o tom em sua defesa de posições. O discurso está em torno de quem tem agravado a crise humanitária: se os Estados Unidos com o ataque; ou se a Síria com a continuação de seu suposto programa de produção de armas químicas.

Enquanto Donald Trump tem comemorado no Twitter que a missão contra centros de pesquisa produtores desses armamentos foi cumprida; a Rússia diz que os Estados Unidos pioraram ainda mais a catástrofe humanitária na Síria.

A Rússia é uma das principais aliadas do regime de Bashar al-Assad, enquanto os Estados Unidos tentam ações na Síria para conter o avanço do Estado Islâmico. 

“Estou muito orgulhoso do nosso exército que será, depois de investidos bilhões de dólares aprovados, o melhor que o nosso país já teve. Não haverá nada, ou ninguém, sequer próximo!”, disse Trump no Twitter.

“Com as suas ações, os EUA pioram ainda mais a catástrofe humanitária na Síria. Eles levam sofrimento para a população civil, e de fato, toleram os terroristas que torturam há sete anos o povo sírio”, disse o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em pronunciamento.

A posição emitida por funcionários da ONU, contudo, vai no sentido de moderação diante de atuais “circunstâncias perigosas”. Neste sábado (14), António Guterres, secretário-geral da ONU disse que o Conselho de Segurança da entidade tem como “principal responsabilidade a manutenção da paz”

“Peço a todos os estados membros que mostrem moderação nestas circunstâncias perigosas e evitem qualquer possível escalada da situação e o sofrimento do povo sírio”, disse Guterres, através de um comunicado.

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