Polícia Civil indicia ex-chefe de gabinete da prefeitura de BH por divulgar gravação com Kalil

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A Polícia Civil indiciou o ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), Alberto Lage, por divulgar, sem autorização da Justiça, trechos da gravação de uma conversa com o prefeito Alexandre Kalil (PSD). Ele vai responder pelos crimes de interceptação de comunicações telefônicas e difamação.

A conversa ocorreu no dia 18 de agosto, no gabinete do prefeito. Parte do diálogo foi divulgado no dia 31 de outubro, durante depoimento de Lage na CPI da Covid, na Câmara Municipal.

Em acareação, Alberto Lage diz que advogado de ex-presidente da BHTrans, Célio Bouzada, é pago por empresários de ônibus

Segundo Lage, Kalil falou, durante a conversa gravada, que empresários de ônibus de Belo Horizonte estariam pagando a defesa do ex-presidente da BHTrans, Célio Bouzada, realizada pelo escritório do advogado Hermes Vilchez Guerrero. O prefeito, no entanto, disse que fez apenas suposições e que a conversa foi distorcida.

Logo após os trechos virem à tona durante a CPI, o prefeito Alexandre Kalil convocou uma coletiva de imprensa e classificou a gravação como “clandestina, irregular e criminosa”. Em dezembro, ele apresentou a queixa-crime contra Lage pela divulgação do áudio.

Alberto Lage foi indiciado por fazer gravação sem autorização judicial e difamação, pena que pode aumentar em ⅓, porque foi cometido na presença de várias pessoas. O inquérito foi remetido à Justiça.

Sobre o indiciamento, Alexandre Kalil disse que “está sendo tratado onde deve, que é na polícia e na Justiça.”

Já Alberto Lage disse que ficou sabendo do término das investigações pela imprensa e que não houve ilegalidade na gravação.

Veja o posicionamento dele na íntegra:

“Tive acesso ao relatório pela imprensa, da mesma forma que fiquei sabendo da intimação por uma nota em jornal. Posso adiantar que restou comprovada nos autos a licitude da gravação, uma vez que realizada por um dos interlocutores e entregue oficialmente a uma CPI, assim como também fica comprovada no áudio entregue a expressa manifestação de quebra da confiança. Eu não induzi o Prefeito a falar nada. Eu pedi demissão nos primeiros minutos da conversa e ele continuou falando para me deixar com medo. O relatório desconsidera os três primeiros minutos da conversa, em que eu digo com toda clareza que não confio no prefeito e não queria mais trabalhar com ele. O relatório desconsidera meu depoimento, desconsidera o cumprimento da ameaça pelo prefeito com a nomeação do advogado que ele mesmo diz ter sido pago por empresários de ônibus, que inclusive está sendo analisada pelo MPMG como possível crime de advocacia administrativa. Inclusive, eu nem consigo contestar judicialmente esse relatório, ainda, porque eu nem tenho número de inquérito, não tenho acesso a integralidade dos autos, nada.

Não existe interceptação, existe gravação de interlocutor. A legalidade da gravação ambiental é tão evidente, e a jurisprudência é tão clara, que até a Rede Sustentabilidade, partido que apoia o Prefeito, a defende na ADI 6816, com base em várias decisões do STF, STJ e TSE. Mas, de qualquer forma, eu prefiro ter que discutir agora a gravação da conversa, do que passar vários anos sofrendo com medo de ser pego no meio de um esquema ilegal de caixa 2″.

Fonte: G1 Minas

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