sábado, 6 março, 2021

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Em 2017, Andrea Neves foi presa por um suposto esquema de propina com a JBS

Em 2017, Andrea Neves foi presa por um suposto esquema de propina com a JBS

A Polícia Federal (PF) concluiu nesta quarta-feira (10) o inquérito referente à operação Escobar, que investigou uma possível tentativa de interferência da jornalista Andrea Neves em investigações policiais, após suposto recebimento de documentos sigilosos. Foram indiciados a irmã do deputado federal Aécio Neves (PSDB), dois policiais da instituição, dois advogados e um empresário por crimes como corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de justiça.

De acordo com a Polícia Federal, a investigação teve início após a apreensão de documentos sigilosos e internos da instituição que estavam na casa de investigados, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Ross, em dezembro de 2018 – que apurava possíveis vantagens indevidas por parte do então senador Aécio Neves.

O advogado de Andrea, Fábio Tofic Simantob, afirmou que as investigações demonstram que ela nunca solicitou qualquer documento a quem quer que seja e nunca teve contato com qualquer agente público. “Os documentos que se encontravam em sua residência já tinham o seu conteúdo amplamente divulgado pela imprensa, sendo, portanto, estapafúrdia a hipótese de que poderiam ser usados para qualquer ato de obstrução de justiça”, afirmou o advogado por meio de nota (leia abaixo, na íntegra).

Em maio de 2017, Andrea Neves foi acusada de ter negociado com Joesley Batista, da JBS, uma propina de R$ 2 milhões para o irmão. Na ocasião, a jornalista foi presa e ficou um mês detida no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, de onde saiu para cumprir prisão domiciliar.

Durante a operação Escobar, foram cumpridos sete mandados judiciais de busca e apreensão, alguns deles em escritórios de advogados, três mandados judiciais de prisão preventiva e um mandado judicial de prisão temporária, além de terem sido quebrados os sigilos telefônicos, telemáticos, bancários e fiscais dos suspeitos.

Conforme a PF, materiais apreendidos confirmaram que os policiais e os advogados cometeram os crimes de violação de sigilo funcional, corrupção passiva e corrupção ativa, além dos crimes de integrar organização criminosa e de embaraçar investigação de infração penal que envolva organização criminosa. Os quatro indiciados poderão pegar até 34 anos de prisão, caso sejam condenados, de acordo com a PF.

Já Andreia e o empresário teriam se beneficiado de informações sigilosas para impedir investigações relacionadas a organizações criminosas. Eles poderão responder por obstrução de justiça e, se condenados, pegar uma pena de até 10 anos de prisão. 

Agora, caberá ao Ministério Público Federal (MPF) fazer a denúncia à Justiça. O resultado do inquérito da Polícia Federal também será apresentado à 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais e à Corregedoria Regional da Polícia Federal em Minas, já que dois policiais estão sendo investigados.

Veja a íntegra da nota emitida pela defesa de Andrea Neves:

A defesa de Andrea Neves manifesta a sua perplexidade com a finalização precipitada da investigação feita pela autoridade policial que contraria, inclusive, as provas obtidas no próprio inquérito.

Andrea Neves foi chamada a prestar depoimento em julho do ano passado, tendo ficado acertado que prestaria seus esclarecimentos assim que, como determina a Lei, tivesse acesso à integralidade dos documentos relacionados à investigação. Essa nova intimação jamais ocorreu.

As investigações demonstram que Andrea nunca solicitou qualquer documento a quem quer que seja e nunca teve contato com qualquer agente público.

Os documentos que se encontravam em sua residência já tinham o seu conteúdo amplamente divulgado pela imprensa, sendo, portanto, estapafúrdia a hipótese de que poderiam ser usados para qualquer ato de obstrução de justiça.

É preocupante que a autoridade policial faça uma ilação dessa gravidade sem apontar qualquer ato praticado por Andrea que pudesse ser interpretado como obstrução de justiça.

No mais, registre-se a ironia de que um inquérito instaurado para apurar vazamento tenha tido a sua conclusão vazada antes que as partes pudessem ter conhecimento de seu conteúdo”.

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