Movimento de defesa dos animais denuncia que Vale tentou sacrificar 22 javaporcos em Barão de Cocais

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Javaporco é uma espécie híbrida, proveniente do cruzamento entre o porco doméstico e o javali -Foto: Divulgação/ MMDA

Uma mobilização do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais (MMDA) e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) conseguiu evitar o sacrifício de 22 animais que estão sob tutela da Vale. Com o risco de rompimento na barragem de Gongo Soco, em Barão de Cocais, cidade a 55km de Itabira, que pertence à mineradora, a Vale havia assumido, em maio deste ano, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), o compromisso de resgatar e cuidar de todos os animais domésticos e silvestres que ainda estavam nas áreas de risco. As informações foram publicadas no jornal Hoje em Dia desta terça-feira (31).

No entanto, conforme explica a coordenadora do MMDA, Adriana Araújo, a empresa havia conseguido, sem mencionar o TAC, autorização do Ibama para o abate de 22 javaporcos saudáveis. A espécie é híbrida, proveniente do cruzamento entre o porco doméstico e o javali. 

“Recentemente, a Vale recorreu diretamente ao Ibama para que estes animais fossem mortos. Em primeiro momento, a eutanásia foi autorizada, no entanto, o Ministério Público recorreu desta decisão e o Ibama reviu o posicionamento e determinou que os animais não fossem eutanasiados”, detalha. 

Atualmente, os javaporcos, que são dóceis, estão saudáveis e não apresentam perigo à população, segundo Adriana, continuam sob tutela da Vale em uma área da empresa em Barão de Cocais, sendo as fêmeas separadas dos machos para que não haja reprodução entre eles. 

“O MMDA defende que estes animais sejam castrados e que tenham o seu bem estar e sua segurança garantidos. É importante lembrar que essa espécie foi gerada por uma intervenção humana. Os javalis não pertencem à fauna nativa brasileira e foram trazidos da Europa para serem introduzidos na nossa culinária, porém, não houve aceitação da população. Por descuido acabou-se gerando a espécie de javaporcos, que são vítimas da irresponsabilidade humana e acabaram se tornando uma espécie estigmatizada”, conclui. 

Procurados pela reportagem, a Vale e o MPMG ainda não emitiram posicionamento sobre o caso. 

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