Boas Notícias, Ciência

Técnica simples reduz em 80% mosquitos da dengue e zika

* Informações do Correio Braziliense
Foto: Marcelo Ferreira / CB / D.A Press

Professores e alunos da UnB, Universidade de Brasília, estão usando uma técnica simples e acessível que conseguiu reduzir em 80% a quantidade de mosquitos da dengue em São Sebastião, a 20 Km de Brasília.

Eles usam um recipiente de plástico, que se parece com um vaso de planta, cheio d’água e com pó de larvicida na borda. As fêmeas do Aedes aegypt, transmissor da dengue, zika e chikungunya, pousam no pote, esbarraram no pó e depois espalham nos ovos produto fatal para as larvas.

O larvicida não mata o mosquito adulto. Ele impede o crescimento das larvas. O produto, chamado pyriproxyfen, não é tóxico para seres humanos e animais e é aprovado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Outra vantagem do método é o baixo custo dos recipientes e do próprio larvicida usado.

A estratégia foi criada para combater focos de Aedes aegypt. A região de São Sebastião foi a escolhida porque tem muitos casos de dengue.  Nos dois primeiros meses do ano, a Secretaria de Saúde registrou 303 moradores infectados.

Como

O trabalho para diminuir focos de mosquito da dengue teve como base um estudo realizado em Manaus e foi financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP-DF).

Durante 18 meses, pesquisadores da UnB espalharam potes de larvicida em 150 pontos de São Sebastião, vários deles residências.

Depois eles voltavam para fazer monitoramentos mensais da situação.

“Fazemos a medição da quantidade de mosquitos por um aspirador elétrico. No começo do trabalho, as áreas aspiradas tinham de quatro a seis mosquitos. No fim, em muitas não havia nenhum”, conta o coordenador da pesquisa, professor Rodrigo Gurgel Gonçalves, do Núcleo de Medicina Tropical da UnB.

A vendedora Eliane de Medeiros, 36 anos, mora em São Sebastião há 20 anos e foi uma das voluntárias para receber o experimento em casa. Segundo ela, é comum os relatos entre a vizinha de casos de dengue.

“Eu achei muito interessante a iniciativa, porque os pesquisadores nos orientaram durante as visitas, sempre muito atenciosos. Assim, ficamos mais preparados para combater a doença.”

Colaboração

Apesar dos resultados promissores, é imprescindível a colaboração da população para eliminar os criadouros de mosquitos, como pneus, vasos de plantas, garrafas, entulhos e lixos, além de manter vedados reservatórios de água como caixa d’água, fossas e limpar calhas, piscinas e ralos.

A previsão é de que, nos próximos meses, as análises em andamento indiquem o real efeito do método de controle com disseminadores de larvicidas ao analisar comparativamente o efeito da chuva e o controle químico usado pelo governo.

Atualmente, os experimentos estão sendo realizados em pontos do câmpus Darcy Ribeiro. O intuito é que, em seguida, seja ampliado para outras regiões.

Alerta

O aumento no número de casos prováveis de dengue no Distrito Federal foi superior a 312% em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde, 1.649 casos foram classificados como prováveis — contra 400 em 2018 — e três pessoas morreram.

Um novo sorotipo da doença está circulando no DF.

“Esse vírus está associado a casos graves e a óbitos, motivo pelo qual há essa variação entre 2018 e 2019”, afirma o gerente de Doenças Crônicas e Outros Agravos Transmissíveis, Fabiano Martins.

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