Justiça, Minas Gerais

VALE – Justiça de Ouro Preto determina interdição da barragem Timbopeba

Itatiaia Ouro Preto

Foi determinado na tarde desta sexta-feira (15/03), pela juíza Ana Paula Lobo de Freitas, da 2ª vara cível da Comarca de Ouro Preto, a interdição da barragem Timbopeba, da mineradora Vale, localizada na comunidade de Antônio Pereira, distrito de Ouro Preto (MG), que fica localizado a 16 km da sede.

O distrito tem cerca de quatro mil e quinhentos habitantes, a barragem se encontra em plena fase operacional de contenção de rejeitos de minério de ferro, provenientes da usina de concentração de Timbopeba.

A altura prevista da barragem é de 85 metros, com 830 metros de comprimento total de crista e as significativas dimensões desta barragem implicaram a necessidade de construção de três diques auxiliares de pequeno porte para confinamento do reservatório.

Antônio Pereira (contexto histórico)

Nos fins do século XVII milhares de aventureiros afluíram aos territórios mineradores das Gerais. Dentre estes cumpre frisar o Arraial de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Pereira, raro exemplo – entre estes principais núcleos afastados da Vila – em que o topônimo é lembrança direta aos primeiros povoadores.

Mas, quem era o homem Antônio Pereira? Vários historiadores estão de acordo que se trata de Antônio Pereira Machado, português, nascido na Freguesia de São João de Caldas, Termo da Vila de Guimaraens, Arcebispado de Braga. Este imigrante, dos muitos que de Portugal vieram na febre aurífera, foi certamente o descobridor e primeiro explorador da região que hoje leva seu nome. Entre 1700 e 1701, fugindo da fome que grassava entre os mineradores, estabeleceu-se nas cercanias do atual distrito.

Em 1703 o mesmo Antônio Pereira mudou-se para o Arraial do Carmo. Diz Salomão de Vasconcelos que o verdadeiro fundador do Arraial do Carmo também foi Antônio Pereira que o encontrou, em 1703, exaurido de víveres. Anos depois, uma vez necessário, doou sua sesmaria quando da criação da Vila do Carmo, em 1711. Vê-se que a Cidade de Mariana deve muito ao Antônio Pereira.

Das muitas minas que se espalharam pela região de Antônio Pereira cumpre citar: Mata-Mata, Romão, Macacos, Manuel Teixeira, Capitão Simão, Fazenda do Barbaçal, Mateus, Mateus das Moças, Rocinha etc.

Devem-se destacar no distrito como pontos históricos importantes: as ruínas da antiga Matriz, incendiada no século XIX, e a Gruta de Nossa Senhora da Lapa, alvo de romarias intensas no mês de agosto. Observe-se, entrementes, que o povoado se desenvolveu no eixo, outrora provável rota processional, formado entre a antiga Matriz, destruída, e a atual, adaptada no século XIX para os ofícios paroquiais, sendo este espécie de caminho tronco, parte da ‘estrada do mato-dentro’.

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