Meio Ambiente, Minas Gerais

Medo de barragem assombra moradores de Congonhas; alguns deixam a cidade

Rádio Itatiaia

Pânico e medo têm ganhado espaço no semblante de pessoas que convivem nos entornos de barragens. Em Congonhas, na região Central de Minas, são 24 estruturas, mas uma gigante chama atenção: a Casa Pedra, da Companhia Siderúrgica Nacional (CNS). [pro_ad_display_adzone id=”44899″ align=”right”]

A barragem abriga aproximadamente 50 milhões de metros cúbicos – cerca de quatro vezes mais do que do Córrego do Feijão, que rompeu em 25 de janeiro – e, além do tamanho, chama atenção a localidade da estrutura, já que ela está a apenas 300 metros do perímetro urbano. Caso uma tragédia acontecesse, um piscar de olhos seria o tempo que separaria a vida e a lama. 

“São oito segundos. Não dá tempo de uma galinha bater asa”, desabafa dona Rita, moradora da cidade há vinte anos. “Vários moradores foram embora com medo porque ninguém dorme. A pessoa fica apreensiva. Nós precisamos de resposta, solução e ação. Não queremos briga, queremos só uma resposta”. 

A Casa Pedra possui um modelo de construção diferente das de Córrego do Feijão (Brumadinho) e Fundão (Mariana). Feita a jusante, o modelo é, teoricamente, mais seguro do que as à montante, que romperam. No entanto, o prefeito de Congonhas, José de Freitas Cordeiro, alerta: “Não existe barragem 100% segura. Eu quero que eles me deem um documento sobre a segurança da estrutura”.

José de Freitas destaca que entende a importância do dinheiro arrecadado pelo município, mas que não é a prioridade. “Ajuda muito a cidade (o dinheiro), mas a prioridade é a segurança. O que queremos é a mineradora com sustentabilidade e segurança. A vocação de Congonhas é o minério. Não tem como falar que vou abrir mão de uma mineradora que gera a maior receita da cidade. Qual cidade não gostaria de ter a mina que Congonhas tem?”, pergunta.

O secretário municipal do Meio Ambiente de Congonhas, Neilor Aarão, cobra da CSN, empresa responsável pela barragem, um plano de segurança que ainda não foi entregue. “Eu diria que o nível de atenção é máximo. Estamos desde o ano passado negociando uma série de medidas e ainda não encontramos um amparo”, destaca.

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