Meio Ambiente, Minas Gerais, Saúde

Moradores atingidos por tragédia em Mariana questionam qualidade do solo e da água

Renova estuda e considera não retirar parte do rejeito disposto no meio ambiente

Rádio Itatiaia

Grande parte dos 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos que vazaram da Barragem de Fundão três anos atrás ainda está em meio às calhas de córregos e ribeirões que formam o Rio Doce e no meio ambiente. Sob a lama se formou um tapete verde que serve de abrigo para animais peçonhentos e desperta dúvida entre os moradores, principalmente entre as cidades de Mariana e Barra Longa. 

Dan Mol, ex-morador de Paracatu de Baixo, revela desconfiança com tudo que é plantado sobre os terrenos. “Fizeram um paliativo e tem árvores de grande porte que ta (sic) morrendo agora e uma análise ainda não foi apresentada sobre o que tem no rejeito”, desabafa. 

Para a recomposição ambiental, a Fundação Renova dividiu a área total em 17 trechos, desde a Barragem de Fundão até o mar. Em cada área uma solução vai ser implementada. A reportagem da Itatiaia visitou uma dessas áreas, o chamado trecho 8, que contempla as comunidades de Bento Rodrigues e Bicas. Este local recebeu o impressionante volume de 500 mil metros cúbicos de rejeitos, grande parte ainda não foi removida, conforme detalha Pedro Ivo, engenheiro ambiental da Fundação Renova. “Os órgãos ambientais concluíram que a melhor decisão é não remover, pois o impacto da remoção é maior”, explica.

No trecho 8 foram plantadas 45 mil mudas de plantas nativas. Fábio Nabeta, engenheiro agrônomo da Fundação Renova, diz que não há anormalidade detectada nas plantas que cresceram sobre o rejeito disposto no solo. 

Já para o produtor rural Marino D’ângelo, ex-morador de Paracatu de Cima, as plantas que crescem no rejeito não são normais. “Existe um índice muito grande de problema de pele, de gastrite, de câncer muito agressivo, as pessoas morrem com 40 dias”, lamenta completando que a lama impactou até no crescimento de uma fruta da região.

No solo atingido foram identificados elementos como arsênio, sílica, ferro, manganês e mercúrio. O professor Sebastião Venâncio Martins, da Universidade Federal de Viçosa e coordenador do laboratório de restauração florestal da UFV, diz que a resposta do meio ambiente tem sido boa. 

A presidente do IBAMA é mais cautelosa. Sueli Araujo diz que é preciso esperar mais ou menos de 15 anos para que os estragos sejam mensurados. “Ainda estão sendo feitos estudos de tudo isso”.

O rejeito se espalhou pelo meio ambiente até o reservatório da usina hidrelétrica Risoleta Neves, conhecida como Candonga, na cidade de Santa Cruz do Escalvado. O reservatório serviu como um ponto de contenção do rejeito, que a partir dali se manteve na calha do Rio Doce. A Renova faz obras de retirada do rejeito do reservatório, mas encontra problemas e admite o risco de não conseguir reativar a usina no prazo estipulado, que é o meio de 2020. 

Eleito governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse na sabatina feita pela rádio Itatiaia que não vê necessidade em enrijecer as leis ambientais no Estado, mas que o que está na lei não é cumprido. 

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