Pane seca foi o maior problema durante a crise de abastecimento

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Reboques foram intensamente acionados nos primeiros dias de greve, depois registraram queda no movimento (Foto: Porto Seguro)

 

A greve dos caminhoneiros no país, que desencadeou falta de combustíveis, fez com que os cidadãos acionassem mais as seguradoras nos primeiros dias da manifestação, por conta da chamada pane seca. Esse também foi o motivo mais frequente para que os motoristas acionassem guinchos autônomos. E um chamado incomum recebido por esses trabalhadores foi de pessoas que “pifaram” os veículos porque utilizaram opções curiosas para “abastecer”, como óleo de cozinha e álcool de limpeza.

A seguradora Mapfre informou que, entre seus clientes, na primeira semana de greve foi registrado um aumento de 24% na demanda por serviços de assistência em geral. De acordo com a assessoria da empresa, isso ocorreu porque muitos clientes foram surpreendidos pela falta de combustível e pelos protestos. E, com isso, elevaram seus deslocamentos. No entanto, a companhia explica que a demanda por serviços reduziu-se significativamente a partir do momento em que a escassez de combustível se atenuou.

Ainda segundo a seguradora, o serviço mais solicitado foi o de guincho, sendo que o volume de assistência por pane seca chegou a ficar 20 vezes maior do que o usual. “Além do aumento de chamados em decorrência de pane seca, tivemos de buscar caminhos alternativos para atender clientes em rodovias. Em situações mais críticas, precisamos manter os clientes em hotéis”, explicou.

Em virtude do desabastecimento de combustível, a SulAmérica informou que, em comparação com as três primeiras semanas do mês de maio, foi observado um aumento de oito vezes nas solicitações relacionadas a pane seca. Para solucionar esse problema, a seguradora disse que ofereceu reboque para a casa do segurado ou para a base do prestador de serviço. E afirmou que, assim que situação for normalizada, a companhia vai auxiliar os clientes no agendamento de reboques para postos de abastecimento. 

Gambiarras. Os brasileiros também resolveram testar a criatividade durante o período de escassez de combustível. Para conseguir sair de casa motorizados, alguns deles resolveram colocar óleo de cozinha e álcool de limpeza nos tanques. O proprietário do Auto Socorro Vapt Vupt, Luiz Rosa, que atua com guinchos desde 1998, conta que os chamados que recebeu foram inusitados: “Interessante que de pane seca eu peguei poucos casos, mas teve pessoas que colocaram álcool de supermercado nos tanques e os carros não funcionaram. Teve uma incidência grande disso, coisa que não é normal”.

Ainda segundo ele, que apoia a greve dos caminhoneiros, o movimento caiu 80% na primeira semana. “Tem poucos carros rodando e, automaticamente, vai ter menos carros para rebocar. A crise está atingindo todos os setores da economia. E atendemos somente casos dentro de BH e coisas fáceis”, disse. Já Leonardo Teodoro, que faz parte da Cooperguincho, contou que, por apoiar a manifestação, não trabalhou nesses dias, mas que, de cada dez ligações, sete eram referentes a pane seca.

Problema. A pane seca é o que ocorre quando o carro fica sem combustível. Os casos mais recorrentes foram registrados durante a primeira semana da greve, que começou no dia 21 de maio. 

Práticas improvisadas podem causar problemas no motor

As improvisações durante a crise acabaram lotando as oficinas nos últimos dias. Dono da rede de oficinas mecânicas High Torque, Alexandre Dias Generoso, que é conhecido no YouTube por dar dicas de manutenção, alertou os consumidores que essas práticas podem resultar na quebra do motor. “Não enfiem vodca, cachaça, álcool de supermercado, álcool super-hidratado ou fraco nos tanques dos carros. Esses produtos não têm poder calorífico para queimar dentro do motor e vão dar problema na bomba de combustível”, afirmou ele, além de alertar sobre combustíveis adulterados nos postos. 

Os motoristas podem pedir um teste obrigatório nos postos. O consumidor deve solicitar ao frentista que coloque o combustível em uma proveta de 1 L. Se o líquido apresentar duas fases, com água embaixo e combustível em cima, significa que o conteúdo está “batizado”.

Situações que causam aperto

Entre as pessoas que se aventuraram em utilizar métodos alternativos para abastecer os automóveis está a dona de casa Roberta Salviano, 30. Ela conta que estava de férias com a família em Dores do Indaiá, cidade do Centro-Oeste de Minas, e resolveu testar gambiarras após receber receitas de correntes do WhatsApp. 

“Eu fiz a besteira de tentar colocar álcool comum no carro. Claro que no mesmo instante deu problema e tive que deixar o carro lá em Dores do Indaiá porque não tinha guincho. Consegui voltar com caronas, mas tive que voltar dois dias depois do previsto. Meu filhos perderam aula, e estou aguardando meu carro”, descreveu Roberta. 

A psicóloga Tatiana Lima, 35, foi uma das que precisaram acionar a seguradora logo no início da paralisação dos caminhoneiros. “Sem combustível, meu carro deu pane em Igarapé, no primeiro dia de greve, enquanto aguardava na fila de um posto que nunca chegou a receber gasolina. O seguro enviou o reboque, que conseguiu chegar com ele em Betim, e eu estou a pé em Belo Horizonte até hoje porque o reboque não conseguiu trazer o carro por conta da greve”, contou.

Sem um contrato com seguradora, o contador Rafael Abreu, 37, teve que chamar um guincho autônomo para socorrê-lo. No entanto, ele enfrentou dificuldades: “No terceiro dia da greve meu carro parou de pane seca na BR–381. Tentei chamar o socorro várias vezes, mas ou eles já estavam atendendo alguém, apoiavam a greve e não estavam trabalhando, ou nem mesmo tinham combustível. Demorei muito para conseguir”.

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