Fiemg já estima perdas de R$ 11,9 bi na economia mineira com a greve de caminhoneiros

Flávio Roscoe avalia que os efeitos da paralisação dos caminhoneiros serão sentidos por um bom tempo

A greve dos caminhoneiros, que completa seu décimo segundo dia hoje, já acarreta consequências graves para a indústria mineira, conforme dados divulgados ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). 

De acordo com o órgão, o prejuízo estimado para a economia estadual chega a R$ 11,9 bilhões, sendo R$ 2,4 bilhões na indústria. Em termos de receita de ICMS, a perda prevista é de R$ 874,3 milhões, dos quais R$ 538 milhões são da indústria.

Diante dos números alarmantes, o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, ressalta que as consequências da greve ainda serão sentidas por um bom tempo. “A questão é pior do que esse prejuízo pontual. O que é mais grave é o fato de o empresário ter perdido o norte. Para a economia voltar a crescer, o empresariado precisa estar disposto a investir e nem os estrangeiros, nem os investidores locais, estão dispostos a se arriscar diante de uma realidade tão instável”, acredita. 
O prejuízo calculado chega a quase todos os setores e cadeias produtivas. Entre aqueles que já pararam em mais de 80% das empresas, estão alimentos, responsável por 16% dos empregos diretos na indústria, têxteis e confecção, com geração de 9% dos postos de trabalho, e veículos automotores e autopeças, responsável por 5% das vagas no âmbito industrial. 

Segundo Flávio Roscoe, entre as indústrias que mais sofreram com o imprevisto estão aquelas que operam em regime just in time”, ou seja, nas quais os estoques de matérias primas são planejados para suprir a produção por dois ou três dias. Na indústria de alimentos e medicamentos, por exemplo, a greve não obrigou apenas a parada da produção e das vendas, mas também acarretou a perda total de insumos e produtos finais, por se tratar de material perecível. 
Além disso, algumas empresas que já estavam com uma situação financeira precária por causa da crise econômica que assola o país, foram ainda mais penalizadas e algumas delas podem não conseguir se recuperar. “Certamente, haverá indústrias que precisarão fechar as portas, porque não conseguirão sair desse buraco causado pela greve”, arremata Roscoe. 

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