Cercado de simbologias, novo disco de Elza Soares extrapola os limites do político

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A voz é inconfundível. E os temas, só ela poderia abordar. Do alto de seus 88 anos, Elza Soares lança nesta sexta-feira (18), seu novo disco de estúdio, Deus é mulher, pelo selo Deck Disc. A data não foi escolhida ao acaso. O trabalho é o 81º da carreira e o ano é 2018. Revigorada após uma extensa turnê, ”A Mulher do Fim do Mundo” está de volta e extrapola os limites do político em mais um trabalho memorável.

Com 11 faixas inéditas, o álbum transita entre diferentes temas que estão em voga. O que se cala introduz o público nesse universo, agora já conhecido e reconhecido. Elza resgata a discussão sobre lugar de fala e apropriação cultural. O disco segue com Exú nas escolas, que conta com a participação do rapper Edgar, que canta: ”Exú te ama e ele também está com fome/ Porque as merendas foram desviadas novamente/ Num país laico, temos a imagem de César na cédula e um ‘Deus seja louvado”’.

A faixa Banho, escrita por Tulipa Ruiz, aborda a sexualidade feminina com uma série de metáforas que envolvem a água. Os tambores se devem ao trabalho do bloco paulista formado apenas por mulheres Ilú Obá de Min. A temática segue na animada em Eu quero comer você. Assim como na já clássica Maria da Vila Matilde, Elza Soares fala sobre o empoderamento e a sororidade femininos em Língua solta. A música foi composta por Alice Coutinho.

Hienas na TV é marcada pela reaproximação da cantora ao gênero que lhe fez famosa: o samba. Clareza traz o experimentalismo próprio do compositor Rodrigo Campos, enquanto Um olho aberto é irônica e até divertida com a repetição dos metais ao fundo.

Obedecendo à premissa do disco, anunciada no título, Elza Soares defende uma perspectiva religioa própria em Credo. ”Credo, sai pra lá com essa doutrinação”, canta ela no refrão escrito por Douglas Germano. O tema feminino volta em Dentro de cada um, de Luciana Mello e Pedro Loureiro. Na letra, a cantora estabelece a mulher como uma força em si.

O disco chega ao fim com a cacofônica e quebradiça Deus há de ser. Controversa, a música escrita por Pedro Luiz usa o jogo de palavras e sons para definir uma suposta Deusa como ”mulher”, ”fêmea”, ”fina” e ”linda”. A música, em ritmo acelerado, vem acompanhada de percussão pulsante e sons eletrônicos.

Apesar de não de afastar da boa surpresa que foi A mulher do fim do mundo, Deus é mulher capta os temas correntes e os traduz em uma espécie de samba-punk-rock-eletrônico. Dessa vez, no entanto, menos samba do que o normal. O disco repete a parceria da carioca com Guilherme Kastrup, além do quarteto de músicos paulistanos Marcelo Cabral, Rodrigo Campos, Romulo Fróes e Kiko Dinucci – integrantes do grupo Passo Torto.

Abaixo, confira o single Deus há de ser:

*Uai

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