segunda-feira, 26 outubro, 2020

Índice de vacinação contra o sarampo em Minas é o pior dos últimos sete anos

Em pleno período em que casos de sarampo são registrados no país, Minas Gerais apresenta a menor cobertura vacinal contra a doença dos últimos anos. Em 2017, pela primeira vez desde 2010, o Estado não alcançou a meta de imunizar 95% do público-alvo, que são crianças de até 1 ano. A situação preocupa autoridades e traz o risco de um surto.

Dados parciais da Secretaria de Saúde (SES-MG) dão conta de que apenas 87,43% do público-alvo recebeu a dose da vacina. BH acompanha o índice, com cobertura de 82,4%.

A existência de uma parcela considerável de crianças desprotegidas é perigosa, uma vez que a doença ronda o país. Um caso foi confirmado em Roraima e outros 11 ainda são investigados por lá.

Com o alerta ligado, o Ministério da Saúde enviou equipes para o estado da região Norte. Os agentes estão promovendo ações de prevenção, controle e investigação da enfermidade na tentativa de evitar a expansão do vírus para outras localidades.

“As autoridades estão preocupadas porque o sarampo está muito perto. Se a enfermidade chega ao país e temos uma população suscetível, ela pode se espalhar”, diz a referência técnica da Diretoria de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de BH, Jandira Lemos.

Combate

A vacinação é a única forma de barrar um possível avanço da doença, afirma o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri. Porém, ele diz que a cobertura está baixa no país: 68,4% foi o índice registrado no ano passado. 

“Há um surto na Europa e em várias outras partes do mundo. Como há um fluxo intenso de pessoas entre os países, o que pode impedir o avanço do sarampo é a imunização”, garante Kfouri.

O especialista explica que, sem surtos recentes no Brasil, a população “perdeu a percepção do risco”. “E acabou relaxando na prevenção”, completa.

Em Minas, a luz amarela foi ligada. Em 2018, dois casos suspeitos foram registrados. “Os estados estão em alerta, em especial os que fazem fronteira e estão mais próximos das regiões afetadas”, afirma a referência técnica estadual em Difteria, Tétano, Coqueluche e Doenças Exantemáticas, Luciene da Rocha Ribeiro.

Ela diz que os moradores devem encarar o risco de surto com seriedade. “O sarampo é uma das doenças imunopreveníveis de maior transmissibilidade e gravidade”.

Antivacina

O aumento de adeptos dos movimentos antivacinas no Brasil, que têm ganhado força nas redes sociais, é apontado como uma das causas para a menor cobertura vacinal. Com o argumento de que os compostos causam efeitos colaterais, muitas pessoas estão abrindo mão das doses.

Mas, para especialistas, o benefício da proteção é maior. “A vacina é bem segura. Os efeitos colaterais são pontuais. Mas acabar com a circulação de um vírus tão nocivo é muito mais relevante”, afirma a presidente do Comitê de Infectologia da Sociedade Mineira de Pediatria, Andréa Lucchesi. 

A maioria dos pacientes apresenta o quadro mais brando do sarampo, com manchas e febre. Porém, a doença pode se agravar e deixar sequelas, como cegueira, ou até mesmo matar. “No passado, foi uma causa importante de mortalidade entre as crianças. Se as pessoas deixam de vacinar, poderemos experimentar um surto como aconteceu agora com a febre amarela”, afirma. 

Em nota, o Ministério da Saúde reforça a importância da imunização, além de barrar a propagação do vírus. “As vacinas são seguras e passam por um rígido processo de validação”, garante. A pasta diz, ainda, que é importante a população procurar as doses principalmente nos períodos em que não há risco de surto.

 

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