Como artistas anões rompem preconceito e conquistam mais espaço na TV

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O cantor e compositor Nelson Ned (1947-2014) foi provavelmente um dos primeiros artistas com nanismo (transtorno que se caracteriza por uma deficiência no crescimento, que resulta numa pessoa com baixa estatura se comparada com a média da população de mesma idade e sexo) a despontar no Brasil. O “pequeno gigante da canção”, apelido que ganhou de Paulo Gracindo e que dá nome à sua biografia, fez sucesso não só por aqui,  como também no exterior. Chegou a vender 1 milhão de discos nos Estados Unidos. A baixa estatura (ele media 1,12m) não foi empecilho para o mineiro de Ubá brilhar.

Recentemente, outros artistas pequeninos no tamanho mas grandes no talento estão conquistando espaço no cinema, nas novelas, no teatro e nas passarelas. O exemplo mais notório é o de Juliana Caldas, a Estela de O outro lado do paraíso. Na trama global das nove, ela sofre bullying da própria mãe, Sophia (Marieta Severo). Paulista, 30 anos, a atriz afirma: “Ainda lutamos muito para ter visibilidade e, mais ainda, para fugir dos rótulos. Sonho com o dia em que eu, outros pequenos e pessoas com deficiências em geral seremos vistos apenas como seres humanos e profissionais, e não com ressalvas pelas suas características físicas. A novela foi uma chance maravilhosa para contribuir para esse processo de conscientização e para mostrar meu trabalho”.

Juliana conta que não pensava em seguir a carreira de atriz desde cedo. “Gosto muito de animais, então queria ser veterinária. Mas sempre tive uma inclinação para interpretar. Na adolescência, uma amiga me convidou para fazer alguns trabalhos como atriz. O bichinho da arte me mordeu e, desde então, não parei mais. Não tenho artistas na família, mas todo mundo sempre me apoiou nas minhas escolhas.” O pai e o irmão da atriz também têm nanismo.

Na novela, a personagem de Juliana é disputada por dois homens: Juvenal (Anderson Di Rizzi) e Amaro (Pedro Carvalho). Ela conta que o público tem sido muito carinhoso. “Está sendo um grande prazer interpretar a Estela, pelo potencial de impacto social que a personagem tem. Ela nos faz pensar, principalmente, sobre a forma como lidamos com as dificuldades. Apesar do nanismo, ela busca levar a vida da maneira mais normal possível. Gosta de estudar, de se vestir bem, tem bom humor e espera sempre o melhor das pessoas. Acho que a Estela nos ensina a encarar a vida com otimismo. Na verdade, o que desejo com esse papel é que respeitem o próximo. Aí, sim, será uma boa resposta do público para mim.”

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