Mais de 60% das pessoas no Brasil nunca aplicaram seu dinheiro

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Menos de um quarto da população economicamente ativa do Brasil tem algum tipo de aplicação financeira. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 62,3% das pessoas sequer conhecem algum tipo de investimento, e 13,8% até conhecem, mas nunca investiram. “Os brasileiros ainda têm pouca consciência de seu protagonismo em relação às próprias finanças. O hábito de priorizar o consumo, em vez de poupar, é uma questão cultural por aqui”, afirma o presidente do comitê de educação da Anbima, Aquiles Mosca.

De acordo com o especialista em finanças pessoais e investimentos Victor Cotoski, essa questão cultural do baixo nível de investidores é agravada pela barreira do desconhecimento e pela concentração do mercado das instituições financeiras. “Hoje, o Brasil tem praticamente cinco bancos privados dominando o mercado. Por comodismo, as pessoas ficam presas aos produtos que eles oferecem e, é claro, eles oferecem aquilo que é melhor para as instituições”, avalia.

Segundo Cotoski, os bancos priorizam a venda de aplicações que vão gerar mais caixa para eles, como fundos de renda fixa, por exemplo, que têm um spread grande e garantem mais rentabilidade para quem empresta.

“Por desconhecerem, os consumidores aceitam as sugestões dos gerentes. Mas deveriam pesquisar mais e recorrer a plataformas digitais mais independentes. Hoje já existem algumas que até isentam os clientes de taxas de administração. Isso é uma estratégia para atrair clientes que, se um dia decidirem aplicar em um fundo de ações, por exemplo, vão optar por aquela corretora. É uma espécie de isca”, afirma. A XP Investimentos e o BTG Pactual são alguns exemplos.

Cotoski destaca que a vantagem é que, como essas plataformas atuam como corretoras, elas têm um leque muito maior de opções de investimentos para oferecer. “Já os bancos têm interesse em vender os próprios produtos”, alerta.

O desconhecimento e a insegurança fazem a poupança ser a opção predileta. Segundo a pesquisa da Anbima, entre os 23,8% que fazem algum tipo de investimento, a grande maioria (16,4%) escolhe essa modalidade. “Infelizmente, o padrão de educação financeira no Brasil é muito baixo. As crianças precisam começar a aprender, ainda na escola, sobre o que é juros. A poupança é a primeira opção porque as pessoas não conhecem bem outras (opções). É uma questão de insegurança e aversão ao risco”, comenta o professor do curso de administração do Ibmec Marcos Camargos.

De acordo com o estudo da Anbima, apenas 1,24% investe em ações e fundos multimercado. “Temos um grave problema a ser superado em relação à Bolsa de Valores, pois as pessoas tendem a escolher o que é mais seguro, e poupança é um rendimento certo, mas muito baixo”, analisa. “Você só está correndo risco se não sabe onde está investindo”, afirma Cotoski.

Universo

Público. A pesquisa ouviu 2.653 pessoas em 130 municípios brasileiros, com a população economicamente ativa, inativos com renda e aposentados, das classes A, B e C, a partir dos 16 anos. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou menos.

 

Autoconhecimento determina riqueza

Aeducação financeira, ou a falta dela, é uma das principais barreiras ao investimento. De acordo com o presidente do comitê de educação da Anbima, Aquiles Mosca, existem algumas iniciativas positivas, mas o alcance ainda é restrito. O especialista em finanças Victor Cotoski também ressalta o quanto esse preparo é importante. “Quando você tem uma boa base de educação financeira e sabe o que realmente importa para você, consegue determinar bem os seus valores. O que determina a riqueza é o seu autoconhecimento”, afirma Cotoski.

No último dia 11, Cotoski organizou em São Paulo o evento “Sobre investir”, que levantou discussões sobre dinheiro e felicidade. “Ter uma saúde financeira boa não é só ter uma planilha financeira bem-organizada. É saber das suas prioridades, saber aquilo que realmente importa, como lazer e família”, diz.

 

Achar que precisa de muito é erro

O professor do curso de administração do Ibmec Marcos Camargos afirma que, pelo fato de achar que é preciso bastante dinheiro para investir, muitos brasileiros nem chegam a procurar informações sobre aplicações. “Existem aplicações no Tesouro Direto que exigem o mínimo de R$ 30. Depois você pode ir colocando de R$ 10 em R$ 10”, afirma.

Segundo o professor, a baixa taxa de poupança e investimento no Brasil também pode ser diretamente explicada pela situação da renda e da economia. “Grande parte da população brasileira ganha um salário mínimo. Não sobra para aplicar, por isso a pessoa não investe”, justifica.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade da população recebe um salário mínimo, que, a partir de segunda (1), subirá de R$ 937 para R$ 954.

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