Tire suas dúvidas sobre a Cabala, uma espécie de filosofia de vida dos judeus

A Cabala, ou Kabbalah em hebraico, é uma espécie de filosofia de vida seguida pelos judeus, que ajuda a dar um sentido mais amplo para a vida e o relacionamento das pessoas (foto: Pixabay)

Certamente você já ouviu falar que alguém “segue a Cabala”. Pessoas famosas, internacionalmente, como a cantora Madonna, a atriz Demi Moore e a ex-top model Naomi Campbell são adeptas desta tradição judaica milenar. No Brasil, o cantor Paulo Ricardo, a apresentadora Glória Maria e o ex-jogador Ronaldo “Fenômeno” também seguem essa filosofia.

Mas, afinal, o que é a Cabala? Originalmente chamada de Kabbalah (pronuncia-se ‘cabalá’), ela compreende um conjunto de princípios contidos na Torá – corresponde aos cinco primeiros livros da Bíblia hebraica –, que são a base das crenças e dos valores do povo judeu, conforme explica o rabino Uri Lam, da Congregação Israelita Mineira (CIM), situada em Belo Horizonte. Segundo o religioso, ao contrário do que muitas pessoas pensam, a Cabala não tem nada a ver com misticismo ou seita, mas, sim, com uma tradição judaica.

Ensinamentos

O rabino Uri Lam esclarece que os temas abordados na Cabala são muitos, tais como a vida, os sonhos e a meditação. Ele cita, ainda, temáticas mais complexas, como a “imortalidade da alma” e a dimensão da vida “além da Terra”. “São séculos e mais séculos de experiências de sábios que viveram em lugares diversos, como Israel, Europa e norte da África, condensadas na forma de textos e imagens”, diz Uri Lam.

Outra visão

Enxergar o mundo e a vida de uma forma mais ampla é um dos principais benefícios da Cabala para quem a estuda, de acordo com o rabino da Congregação Israelita Mineira. “Quem conhece e passa a compreender os ensinamentos, desenvolve a capacidade de interpretar a vida e o mundo de uma forma mais ampla, múltipla, e, com isso, passa a respeitar mais o próximo, principalmente aquele que tem pensamento diferente. Além de aprender a maravilha de que nenhum ser humano é igual ao outro”, esclarece o rabino.

Números cabalísticos

Você já deve ter ouvido alguém dizer a expressão “números cabalísticos”, para se referir a dígitos que supostamente possuem características místicas, certo? Na verdade, apesar desse nome, Uri Lam descarta qualquer ligação do termo com a Cabala. Segundo ele, na tradição judaica, palavras hebraicas até possuem “profunda relação” com números, mas isso não corresponde a nada sobrenatural.

Estudando a Cabala

Ao contrário do que se imagina, a Cabala não é um ensinamento exclusivo para os judeus. Ou seja, qualquer pessoa pode estudá-la a qualquer momento, desde que tenha em mente alguns princípios básicos, conforme esclarece o religioso mineiro. “O estudo da Cabala deve ter, como base, a humildade, e não, a busca por poder. É preciso, ainda, ter um conhecimento mínimo da tradição judaica e noções, mesmo que rudimentares, do idioma hebraico”, explica Uri Lam.

O rabino afirma, ainda, que esses princípios devem ser seguidos à risca, para que a Cabala não seja aprendida de forma equivocada. Outro ponto destacado pelo representante da Congregação Israelita Mineira é que os guias que ensinam a Cabala não são e nem devem ser tidos como “gurus”. “O estudo equivocado da Cabala pode levar ao mesmo caminho das seitas intolerantes, radicais e dogmáticas, que se veem como a única verdade. Já o estudo honesto e correto da Cabala deve levar ao respeito ao próximo e à humildade de se alcançar um aspecto da compreensão do mundo sob o olhar da tradição espiritual judaica”, esclarece Uri Lam.(Encontro)

Leia Também!

Após briga, menino escreve carta de desculpas a colega e ‘bomba’ na web

Após bater na mão de uma colega de escola, o menino Otávio Ramos Prado Feitosa, …