Cinema – ‘Power Rangers’ surpreende com time entrosado de excluídos do colégio

Elenco desconhecido, mas muito entrosado, de novos adolescentes é principal força do novo ‘Power Rangers’ (Foto: Divulgação)

É esquisito dizer. Bate uma insegurança, uma confusão, mas… deixei o cinema acreditando que o novo “Power Rangers” é… muito bom…?

A surpresa é grande, e positiva ainda bem, porque um ressurgimento dos guerreiros adolescentes da memorável Alameda dos Anjos não parecia ser capaz de contar uma boa história em 2017.

“Power Rangers” fez sucesso pra valer na TV nas décadas de 1990 e 2000 com sua adaptação do gênero japonês “super sentai”, e de lá para cá novos e mais complexos ídolos ascenderam (e decaíram).

Mas se o passar do tempo largou os rangers nos rincões da cultura pop, ele também permitiu se distanciar dos personagens originais e repensá-los com a necessária atenção para os tempos em que vivemos.

E é justamente o entrosamento, a naturalidade e a exploração das fraquezas do novo time de Power Rangers, como humanos que são, as forças desse filme.

Billy, Jason, Trini, Zack e Kimberly: a nova formação dos 'Power Rangers' (Foto: Divulgação)

Billy, Jason, Trini, Zack e Kimberly: a nova formação dos ‘Power Rangers’ (Foto: Divulgação)

Clube dos cinco

Os desconhecidos Dacre Montgomery, Naomi Scott, RJ Cycler, Ludi Lin e Becky G. ainda são Jason, Kimberly, Billy, Zack e Trini, respectivamente. E assim como na formação original dos Power Rangers, eles compõem um grupo de amigos com super-poderes que se vê diante da incrível responsabilidade de defender a Terra de ameaças monstruosas.

A nova geração de rangers, porém, é muito mais “Clube dos Cinco” (1985), um clássico do diretor John Hughes, do que “American Pie” (1999).

A ideia do também desconhecido diretor Dean Israelite, e do time de roteiristas, não é contar a história de um punhado de jovens cuja grande preocupação é o sabor do suco com o qual irão se refrescar na cantina.

Billy (RJ Cyler) é um dos rangers mais proeminentes no novo 'Power Rangers' (Foto: Divulgação)

Billy (RJ Cyler) é um dos rangers mais proeminentes no novo ‘Power Rangers’ (Foto: Divulgação)

Ou mostrar como esses adolescentes populares, que se dão bem nas artes marciais, na música e no esporte, enfrentam bonecos de massa entre a aula de literatura e a paquerinha do recreio.

“Power Rangers” opta por um time de excluídos do funcionamento dito como “normal” na vida escolar. Jason, por exemplo, é o capitão do time de futebol que faz uma burrada e decepciona a cidade inteira. Já Kimberly se deixa levar pelas intrigas da adolescência e destrói o relacionamento da melhor amiga.

Por meio de seus personagens principais, o filme também trata de homossexualismo e, de forma particularmente corajosa e bonita, de autismo e das dificuldades de se ter um parente doente dentro de casa.

Com um roteiro equilibrado e sincero, “Power Rangers” raramente parece forçado ou artificial em suas caracterizações. Com destaque para Billy, o ranger azul, que nunca disputa a liderança da equipe, mas mesmo assim assume um papel preponderante no drama e na comédia do filme.

Você pode comentar: até Power Rangers cedeu ao politicamente correto? E eu prefiro dizer que o filme traz personagens mais profundos e parecidos com as situações vividas na adolescência. De perto ninguém é normal, e lá pela metade do filme Jason e Kimberly travam um diálogo interessante: “Você fez algo horrível. Mas isso não te torna uma pessoa horrível”.

Monstro Goldar retorna no novo filme dos 'Power Rangers' como criatura gigante e dourada (Foto: Divulgação)

Monstro Goldar retorna no novo filme dos ‘Power Rangers’ como criatura gigante e dourada (Foto: Divulgação)

Venha pela ação. Mas fique pela história

Essas são as boas notícias, já que a trajetória de “Power Rangers”, com razão, foi acompanhada de desconfiança. E bem, nada dos trailers que é claramente questionável acabou modificado na versão final do filme.

As armaduras dos rangers continuam bregas e cabeçudas. E a participação da vilã Rita Repulsa, tanto em caracterização como atuação, acaba habitando por demais a esfera do esquecível.

E apesar do roteiro ser redondinho, alguns momentos do filme são bizarros. Como o seu início, em que uma piada completamente sem noção sobre “tirar leite de um boi” (sim) acaba tendo dois ou três desdobramentos antes do longa se tocar e abandonar esse momento de vergonha alheia. Nisso você já está segurando firme o saco de pipoca, olhos tensos, se preparando para ver a tela de projeção derretar como no final de “Bastardos Inglórios”.

Trini, a ranger amarela, e Rita Repulsa em cena de 'Power Rangers' (Foto: Divulgação)

Trini, a ranger amarela, e Rita Repulsa em cena de ‘Power Rangers’ (Foto: Divulgação)

As cenas de batalha, por sua vez, aparecem de verdade só na reta final do filme, depois de uma boa 1h30 de história de origem dos ninjas da Alameda dos Anjos. E mesmo quando chega o momento, nada de muito sensacional acontece – com exceção ao surgimento do Megazord, esse sim, emocionante e empolgante.

Os efeitos especiais também não são de primeira qualidade. E com exceção de Zordon, em atuação emparedada de Bryan Cranston, e que também tem uma explicação bem interessante ao cânone de “Power Rangers”, todo o resto é bem fraquinho.

Mas o saldo final é positivíssimo. Se antes havia (muitas) dúvidas sobre a necessidade e a chance de sucesso de reviver os “Power Rangers”, agora as coisas parecem mais claras. Há espaço (e disposição intelectual) para escrever boas histórias sobre os super-heróis. Basta na sequência dar um “up” nos efeitos especiais e garantir a participação imprescindível de Tommy, o ranger verde. Quem diria, mas a hora de morfar pode ter voltado pra ficar. (Por Bruno Araujo, G1)

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