Bruno Carvalho – O lado obscuro da Primeira Liga

Bruno Carvalho é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH) e especialista em Gestão de Marketing pela PUC Minas.
Bruno Carvalho é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH) e especialista em Gestão de Marketing pela PUC Minas.

Se tem uma coisa que os cartolas brasileiros – ô raça! – sabem fazer bem é estragar uma boa ideia. Escondidos atrás de discursos “progressistas”, o objetivo de algumas poucas mudanças não é impor uma nova perspectiva, mas sim garantir que a atual estrutura continue vigente por mais tempo sob a roupagem de um ilusório “novo”, alardeado aos torcedores – tadinhos!

O modelo pelo qual uma liga composta pelos clubes organiza um campeonato é adotado com bons resultados em importantes partes do globo. Inclusive, no Brasil, a Copa Nordeste foi um exemplo de que havia esperanças para sua implantação no futebol brasileiro.

Entretanto, essa presepada da tal liga Sul-Minas-Rio é uma séria ameaça às boas iniciativas que poderiam estar por vir. Isso porque, a intenção dos cartolas envolvidos não é construir um novo modelo de gestão das competições, mas sim confrontar os presidentes de federações. Está em jogo a questão das cotas de televisão e as “comissões” inerentes aos fechamentos de contratos. Não há Chapeuzinho Vermelho nessa história.

Desde o início, como foi formatada, a liga dos clubes mineiros, sulistas e dos dissidentes cariocas tinha tudo para dar errado. Teve até pegadinha da CBF que deu consentimento para dias depois retirar o aval.

Agora, o presidente da Primeira Liga, Alexandre Kalil, ficou bravinho com Marco Polo del Nero e tachou ele e a entidade de retrógrados. Esse mesmo Kalil, em 2013, disse isso em um programa de TV: “Ele (Marin) está cuidando do futebol brasileiro como nunca foi cuidado. Eu dou nota 10 pra ele. Não vem com bobagem de misturar política com futebol. Ele tem ajudado, tem colaborado com os clubes”. Em seguida, Kalil também deu nota 10 para o então vice-presidente da CBF, Marco Polo del Nero.

Na última quinta-feira, mais uma vez, as relações estabelecias por Kalil podem suscitar dúvidas quanto à sua intenção de modernizar o futebol. Após se reunir com o atual ministro dos Esportes, George Hilton, um texto divulgado pelo Ministério dos Esportes traz a seguinte declaração do cartola: “Nós recebemos apoio irrestrito do ministro. Pois há legalidade em todo esse processo. Saímos daqui com a certeza que em todos os âmbitos: esportivo, legal e governamental. Então é totalmente é viável. O ministro gosta da inovação, modernização do futebol. A Liga está totalmente amparada pela lei”, assegurou.

Cabe lembrar que, em 2005, George Hilton (PRB) foi expulso do PFL ao ser flagrado com R$ 600 mil em espécie no Aeroporto da Pampulha, pela Polícia Federal. À época, o pastor que era deputado estadual em Minas Gerais, declarou que o dinheiro era doações de fiéis. Hilton assumiu o ministério dos Esportes no início deste ano, mesmo não tendo declarado à Justiça Eleitoral propriedade em uma empresa devedora da União.

Diante destas e inúmeras questões, quais seriam “modernidades” e “inovações” que os cartolas da autointitulada Primeira Liga poderiam trazer ao futebol brasileiro? Kalil quer se colocar como o bastião da modernidade, mas, no fundo, representa o passado.

Ressalte-se que Kalil é apenas um entre tantos Tavares, Nepomucenos, Siemsens, Bandeiras de Mello…

Además… Relaxa, vai viver a vida, vai!

Fale com o colunista: brunoecarvalho@gmail.com

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