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Líderes criticam decisão de Trump sobre mudança de embaixada para Jerusalém

Líderes do mundo inteiro se manifestaram hoje (4) sobre a decisão do governo Trump de transferir a Embaixada dos Estados Unido de Tel-Aviv para Jerusalém. Mesmo antes do anúncio oficial do presidente, a maioria, exceto Israel, afirmou que uma mudança de status de Jerusalém deveria ser fruto de negociação e acordo. O papa Francisco disse estar profundamente preocupado e pediu respeito às resoluções das Nações Unidas sobre o que Jerusalém representa.

“Jerusalém é uma cidade única, santa para judeus, cristãos e muçulmanos. Um dos lugares sagrados para todas as religiões e uma cidade que tem vocação especial para a paz”, declarou Francisco.  Com a mudança, Donald Trump afasta os Estados Unidos do consenso mundial.

A China disse que a decisão pode provocar conflitos regionais. “Estamos acompanhando de perto e preocupados com a possível escalada de conflitos na região. O status de Jerusalém é uma questão complicada e sensível. Todas as partes envolvidas devem agir com cautela”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang.

Na Europa, antes de um encontro com o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, o ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, afirmou que a decisão do governo americano torna urgente a discussão de um processo de paz no Oriente Médio.

No Parlamento alemão, o líder do Partido Social Democrata (SPD), Martin Schulz, fez duras críticas ao presidente Trump. “O país em que a ONU tem sua sede, [Estados Unidos], o país com uma das constituições mais maravilhosas do mundo, está sendo liderado por um homem que, com suas ações, está questionando os pilares da liberdade global democrática”, afirmou.

 

O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, disse ontem (5) que o país poderia chegar a romper os laços diplomáticos com Israel se os Estados Unidos reconhecerem Jerusalém formalmente como a capital. Em comunicado divulgado hoje, o país afirmou que a decisão é um “erro da administração” de Donald Trump.

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, chamou a decisão de “um sinal de incompetência” e fracasso norte-americano.

A imprensa americana divulgou que ontem (5) Trump teria conversado por telefone, tanto com o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbás, quanto com o rei da Jordânia, Abdullah Segundo.

De acordo com a Casa Branca, Trump vai frisar que as fronteiras israelenses estarão sujeitas a uma negociação final com palestinos. Mesma assim, antes do anúncio formal, já houve reações duras na região.  A notícia causou revolta nas ruas da Cisjordânia, onde facções convocaram três dias de fúria. Na Faixa de Gaza, palestinos incendiaram bandeiras americanas e israelenses.

O representante do Estado Palestino no Reino Unido, Manuel Hassassian, disse hoje, em uma entrevista em Londres à rede BBC, que se os Estados Unidos realmente reconhecerem Jerusalém como capital de Israel, os palestinos vão receber o anúncio como uma declaração de guerra contra os muçulmanos. “Trump estará declarando a guerra contra 1,5 bilhão de muçulmanos e centenas de milhões de cristãos que não vão aceitar que os santuários sagrados estejam totalmente sob a hegemonia de Israel”.

Com a decisão, os Estados Unidos se tornarão o único país do mundo que reconhece Jerusalém como capital de Israel, onde nenhuma nação tem sua embaixada.

A ocupação israelense é historicamente reprovada pela ONU. Jerusalém é o ponto mais difícil na negociação de paz entre o Estado da Palestina e israel. Nenhum país do mundo tem embaixada na cidade, que é disputada e reivindicada por muçulmanos e judeus.

Em 2010, com a mediação do então presidente americano Barack Obama, a Autoridade Nacional Palestina e o governo israelense concordaram em retomar as negociações de paz. Mesmo assim, os confrontos entre Hamas e Israel retornaram e, em 2010, mais de 200 pessoas morreram em apenas uma semana de conflito na Faixa de Gaza, a maior parte palestinos.

Agência Brasil

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