Ficar conectado muito tempo eleva o risco de isolamento social

Mais de 1,8 bilhão de pessoas no mundo estão conectadas apenas pelo Facebook, a maior rede social do planeta – sendo pelo menos 102 milhões no Brasil –, sem contar as outras inúmeras redes sociais que surgem a cada dia. Mas o que era para facilitar a comunicação tem efeito contrário na vida de alguns: especialistas afirmam que os usuários de redes sociais apresentam uma tendência maior ao isolamento social do que quem se mantém longe delas.

Uma pesquisa da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, examinou o efeito do uso das redes nas questões de isolamento social e concluiu que as pessoas que passavam duas horas ou mais por dia online tinham o dobro de chances de desenvolver um afastamento social quando comparadas àquelas que acessavam por meia hora ou menos.
Outro ponto constatado foi que os participantes que acessavam as plataformas digitais 58 vezes por semana ou mais apresentaram três vezes mais possibilidades de se isolarem do que aquelas que visitavam nove vezes ou menos no mesmo período.

Apesar dos resultados, os autores ressaltam que a pesquisa foi totalmente observacional e não pode estabelecer uma causa ou explicar as razões por trás da associação entre o uso de redes sociais e o isolamento dos usuários. No entanto, eles apontam algumas possibilidades. Uma das especulações seria que o tempo gasto na rede social simplesmente substituiria aquele que seria usado para interações pessoais.

Outra possível explicação seria que a exposição causada pela mídia social aumentaria a sensação de exclusão – por exemplo, quando os usuários veem amigos divertindo-se em algum evento que eles não estão participando.
Segundo os autores, o tema se tornou objeto de estudo devido aos níveis epidêmicos de problemas de saúde mental, entre eles o isolamento, no país. A investigação contou com 1.787 estudantes, com idade entre 19 e 32 anos, que relataram o tempo gasto e o número de acessos aos perfis em redes sociais diversas.

A psiquiatra Sandra Carvalhaes, coordenadora do curso de psiquiatria da faculdade Ipemed, acredita que o grande vício da vida moderna é o uso excessivo das redes sociais, já considerado um transtorno, batizado de “adicção à internet”. “São pessoas que já não têm mais o controle sobre a utilização dos recursos online. Negligenciam atividades e responsabilidades do dia a dia por causa desses acessos, inclusive deixam de lado atividades normais, como tomar banho, dormir ou comer”, afirma ela.

Sandra revela ainda dois possíveis motivos para o isolamento social a partir de determinado nível do vício. “O primeiro pode ser causado por uma predisposição de se afastar dos laços afetivos com os outros, como a depressão, por exemplo. O segundo pode ser uma forma de fuga para que os familiares e amigos não percebam a que nível o problema já chegou”, pondera.

CRISE

Publicitário quase perdeu o emprego por vício em internet

Quem sofreu na pele as consequências do isolamento causado por esse excesso foi o publicitário Rafael Rodrigues, 28. Em um domingo, depois de passar o dia conectado à internet, ele esqueceu que havia marcado cinema com a namorada. O jovem relata que chegou com mais de uma hora de atraso e quando encontrou a moça no local combinado, estava segurando o celular e conversando online com amigos. Estressada, ela derrubou o aparelho no chão, quebrando a tela. O prejuízo financeiro foi de cerca de R$ 200.

O episódio, segundo ele, serviu como termômetro para diagnosticar o uso excessivo de internet. “Ela foi a primeira a perceber que havia algo errado. Eu passava mais tempo com o celular na mão ou no computador do que conversando. De primeira, eu não dei atenção ao que ela me disse até que, semanas depois, minha mãe reclamou da minha ausência nos momentos de família”, lembra.

Rodrigues relata que quase perdeu o emprego depois de atrasar a entrega de um trabalho. O aconselhamento do chefe levou-o a mudar. Em 2015, ele iniciou a terapia e o tratamento durou quase um ano. Durante o processo, o uso de celular e computador era restrito ao trabalho e a emergências de ordem pessoal. “Hoje, eu uso a internet a meu favor, pois consegui enxergar o mal que isso tudo causou na minha vida. A tecnologia tem que servir a nós e não se tornar uma inimiga”, diz.

FLASH

Dependência. Assim como outros vícios, a dependência da internet inicialmente proporciona prazer, boas sensações e alívio no sentido emocional. Depois, passa a escravizar a pessoa, diz a psiquiatra Sandra Carvalhaes.

CONTROLE

“Há pessoas que perdem o controle sobre a utilização dos recursos online. Negligenciam atividades e responsabilidades do dia a dia por causa desses acessos, inclusive deixam de lado atividades normais, como tomar banho ou comer.” Sandra Carvalhaes, psiquiatra.(O Tempo)

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