Como carregar corretamente a bateria do celular: mitos e lendas

Um iPhone sendo carregado. PIXABAY

“Não vou pôr ainda para carregar, tenho muita bateria” e “não deixe carregando a noite inteira” estão entre as frases ouvidas sobre a carga de celulares. O que é verdade e o que é mito? O temido efeito memória, que afetava as baterias dos primeiros celulares, continua em nossa memória (analógica), mas já não afeta os aparelhos modernos. Aquele efeito obrigava o usuário a completar os ciclos de carga –ou seja, garantir que a bateria estivesse totalmente descarregada antes de voltar a ser carregada-, mas isso não é mais necessário. Na verdade, não é recomendado. Como é possível otimizar a vida da bateria?

Não deixar que se descarregue totalmente

É uma recomendação que está na página de ajuda da Samsung para os aparelhos Galaxy. Se com o efeito memória era preciso descarregar por completo a bateria para voltar a carregá-la, com as novas baterias de íons de lítio o ideal é manter sempre um nível de carga. O fabricante coreano recomenda não deixar que fique abaixo de 20%.

Já a Apple simplifica mais ainda o processo de carga, acalmando o usuário: recomenda que a carga seja feita quando quiser. A justificativa dessa mensagem tranquilizadora é encontrada na própria natureza das baterias de íons de lítio, que funcionam por ciclos de carga. A vida útil dessas baterias depende desses ciclos, que não são encerrados por cargas completadas, e sim por descargas acumuladas. Isso significa que um ciclo completo pode ser atingido em vários dias.

Carregar a noite inteira

Os celulares atuais contam com sistemas de segurança que impedem superaquecimento por excesso de carga da bateria, tornando mínimo o risco de degradação. E, como a vida útil de um celular na maioria dos casos dificilmente supera dois anos, é mais provável que tenha sido descartado antes que a vida útil da bateria tenha expirado. Para concluir, não há problema em deixar o celular carregando a noite toda, porque os smartphones modernos interrompem o processo de carga quando a bateria está cheia, e a eventual deterioração seria insignificante em relação à vida útil da bateria.

A última versão do sistema operacional

É a primeira recomendação feita pela Apple aos usuários de iPhone para otimizar o desempenho das baterias: é preciso ter instalada a versão mais recente do sistema operacional. O fabricante se refere às “tecnologias avançadas de economia de energia”, incorporadas às versões mais recentes da plataforma, e é óbvio que os desenvolvedores se esforçam para melhorar o desempenho dos sistemas operacionais otimizando seu funcionamento.

Usar o carregador oficial

Trata-se de um dos avisos mais frequentes dos fabricantes de celulares: a importância de usar carregadores oficiais. E a Samsung especifica “preferivelmente o que vem na caixa” do celular. E isso não é apenas para usar a fonte projetada para alimentar de forma ótima essa bateria em particular, mas também por segurança.

Nesse sentido, a Apple alertou no ano passado sobre carregadores não oficiais à venda na Amazon que tinham provocado incidentes graves em vários iPhones.

Muito cuidado com o calor

Temperaturas extremas são a principal causa de deterioração prematura das baterias de íons de lítio, e por isso os fabricantes alertam os usuários sobre os riscos de deixar o celular no porta-luvas do carro no verão ou não cobrir o aparelho na praia, sob um sol de lascar. A Apple indica a temperatura ideal para o equipamento na faixa de 16 a 22 graus. Nunca se deve deixar que o iPhone fique a mais de 35 graus, porque o calor pode “estragar permanentemente” a bateria.

Cuidado com as capas ao carregar

Isso tem relação com o item anterior. É preciso fugir do calor extremo, que pode acontecer sem que notemos, devido à própria capinha do celular. Os modelos vendidos pelo próprio fabricante são projetados para deixar livres as vias de dissipação de calor, mas capas de baixo custo podem cobrir áreas críticas do aparelho e elevar perigosamente sua temperatura no processo de recarga. O conselho é tirar a capa do celular durante o carregamento se não for de marca homologada ou se houver dúvidas em relação a ela.

Se, mesmo seguindo todos esses conselhos, o desempenho da bateria for muito inferior ao verificado no momento da compra, é possível que ela tenha se deteriorado prematuramente ou que, mais provavelmente, o sistema tenha algum aplicativo ou processo em execução provocando fuga de carga. Para o segundo caso, o melhor é fazer tábula rasa: restaurar totalmente o celular e começar a instalar e configurar tudo a partir do zero.(El País)

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