
Preocupação. Ministro José Gomes Temporão apresentou, ontem, números que colocam Minas na zona de alerta para casos de dengue VALTER CAMPANATO/ABR
O Ministério da Saúde acendeu a luz de alerta para o risco de uma epidemia de dengue no próximo verão em Minas. O Estado está entre os 19 classificados como de nível alto ou muito alto para risco de uma epidemia da doença. Só neste ano, 86 pessoas no Estado morreram vítimas do tipo comum e hemorrágico da doença, um crescimento de 258% em relação aos óbitos registrados em todo o ano passado, segundo a Secretaria de Estado de Saúde. Novos números serão divulgados hoje.
Os casos de dengue com complicação em Minas também já ultrapassaram os índices de 2009. Nos primeiros oito meses deste ano, o número de registros de complicações da doença já superou em 82% os registrados no ano passado. Até a última semana foram 764 casos contra 418 do ano passado.
Segundo a referência técnica em dengue da Secretaria de Estado de Saúde de Minas, Kauara Brito, os números crescentes da doença são ainda mais assustadores se for considerado que não houve uma mudança climática que pudesse justificar a elevação dos registros. Para Kauara, índices tão altos são fruto do descuido da população.
No próximo mês, o Estado irá realizar o Lira (Levantamento Rápido de Índices de Infestação para Aedes aegypti). O resultados irão nortear as ações de combate a doença no próximo verão. “A dengue é uma doença que não depende somente do poder público. A dengue é influenciada por outros fatores como a educação e conscientização das pessoas e a limpeza urbana. Se todos esses agentes não caminharem juntos, não será possível controlar a doença. O poder público também tem a sua parte, mas a população tem papel fundamental nesse controle”, avalia Kauara.
Prevenção
O ministro José Gomes Temporão anunciou ontem que irá adotar uma nova forma para avaliar o risco de epidemia de cada Estado e município. Os critérios serão incidência de casos nos anos anteriores, índices de infestação pelo mosquito Aedes aegypti e tipos de vírus da dengue em circulação, cobertura de abastecimento de água e coleta de lixo e a densidade populacional. Belo Horizonte já adota o método.
Segundo Temporão, apesar do auxílio dos novos dados, não existem medidas inéditas do combate ao vírus, além das que o ministério já anuncia há anos. “Não há mágica”, disse o ministro.
Verba
Prevenção. O Ministério da Saúde vai liberar R$ 1 bilhão do Teto Financeiro de Vigilância em Saúde, em 2011. O valor é repassado a Estados e municípios para o combate de diversas doenças, como a dengue. (Fonte: Jornal O Tempo)
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