Já faz trinta dias que o disco arranhado roda assim. E esses são apenas alguns componentes de mais um dramalhão típico de republiquetas de bananas. Algo como enredo de telenovelas mexicanas. Os ingredientes da trama são cabulosos. Os atores da peça atuam como canastrões. Assim como o Chaves do México. E aquele outro (Chávez) da Venezuela. São patéticos. Assistimos a um pastelão, em forma de macarrão. Tudo no mais nobre dos horários.
O besteirol começa com ex-goleiro do Flamengo. O suposto mandante, de suposto crime, contratou uma legião estrangeira para dar cabo de suposta amante. É inacreditável. O ex-craque rubro-negro contou com o sigilo de uma dúzia de amigos para o sucesso da empreitada. E essa trupe supostamente desapareceu com a agora famosa Eliza Samudio. Até Mandrake colaborou na encrenca. É o preço que a mulher pagou por dar à luz um suposto filho do jogador. Tudo ia bem, até que a Lei de Murphy resolveu apresentar o seu lado prático: o que tem de vazar, invariavelmente vaza. E deu no que deu.
O desenrolar do caso revela faceta bastante palpável: Bruno é um misto de burro, louco e boboca. A possível morta é “poliprofissional”: modelo, maria chuteira e atriz pornô. Morta, que Deus a tenha. Viva, que Deus a haja. Com certeza, a garota ainda dará as caras em algum lugar. Apenas em corpo, ou em corpo e alma. Não há dúvidas. E tome holofotes. A mídia mais se comporta como um bando de urubus diante da carniça. E o cadáver não pinta nem com reza brava.
O Fantástico usou tempo recorde de sensacionalismo. Quem diria? Esse é o novo padrão Globo de qualidade. Ficou escancarado o vale tudo do Ibope. Filmaram secretamente- com condenável colaboração policial- o desabafo informal de Bruno, durante viagem de avião do Rio de Janeiro até Belo Horizonte. A cena sacana esquentou a audiência do domingo. A mãe de Eliza apareceu afogada em lágrimas. A dona aparentava sofrer. Havia cinco anos que ela não falava com a filha “tão querida”. Mas aparentemente sofria. O pai da suposta defunta fez pose de galã nas telinhas. No mundo real, porém, o zeloso genitor responde processo por estupro. E, lá no Nordeste, prenderam outro suposto estuprador: um irmão de Bruno.
Enquanto isso, a Polícia bate cabeça. Até parece o sistema defensivo brasileiro contra a Holanda. De tanto marcar gols contra, esses “homens da lei” vão acabar botando Bruno e cia para fora da prisão. Fico muito desconfiado quando delegados começam a desfilar ostensivamente na mídia. Muito exibicionismo é sinônimo de pouca competência. E tomem trapalhadas.
Mas, insisto na pergunta capital: cadê o cadáver? O menor, primo do antigo atleta flameguista, disse que viu um cara esfolar a vítima com um enorme facão. Esse suposto “açougueiro” atende pelo sugestivo apelido Bola. Depois, esse “carrasco” fez picadinhos com o corpo, e alimentou uma dezena de cães famintos. Um belo banquete com 55 kg de carne de primeira. Os cachorros acabaram morrendo de “indigestão”. Muito bem. Um assassino descarnou e desossou uma mulher de 1,65m de altura. Como conseguiu fazer isso sem deixar um mínimo de vestígio? Afinal, a Polícia não trabalha com sofisticada parafernália tecnológica para descobrir indícios materiais? Volto a desafiar, e agora sou mais econômico: cadê pelo menos um pedacinho do cadáver?
Existem outras personagens bizarras nessa novelinha: os advogados de defesa. As entrevistas desses profissionais provocam calafrios. Cada ideia, cada suposição, cada tese, cada maluquice e cada idiotice. Chega. No final das contas, tenho que concordar com a conclusão do site humorístico Kibeloco: “Nesse caso Bruno, o único inocente é o filho da puta”.
PS: Deu nos jornais: Itaú anuncia o maior lucro da história- R$ 64 bi. Um insulto. É o anúncio do triunfo da agiotagem institucionalizada. Quando pintar o câncer, as cabeças coroadas dos bancos tupiniquins perceberão que dinheiro não é Deus. Nem o “i imaginário” pode com o terrível caranguejo.
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