Fernando Silva – Aécio Neves é a única e última cartada do PSDB

O jornalista e crônista Fernando Silva publica seus arquivos aos domingos

As eleições desse ano ainda estão muito longe da linha do horizonte. A distância é longa. Mas o tempo passa ligeiro como nunca. E 2010 é daqueles anos atípicos. Durante o carnaval houve uma pausa para meditação. Em seguida vem a Semana Santa. E, com ela, mais uma longa parada para reflexão. Depois só vai dar Copa do Mundo. Sem direito a pit stop. Ninguém pensará nada diferente, até dia 11 de julho. A cada quatro anos, em meados do ano, a Terra de Santa Cruz se transforma numa imensa bola de couro. E tome overdose de futebol. E ponto. Após o apito final, começa a lengalenga eleitoral. Antes disso, não acontece nada de útil na pátria de chuteiras.

O processo de sucessão presidencial está literalmente nas mãos de Luiz Inácio Lula da Silva. Nessa altura do campeonato-já não tirando um esférico das cabeça-o “companheiro maior” consegue eleger até o meu cachorro Chiquinho. Nada de mais. Essa proeza é relativamente fácil. Mesmo porque a aceitação do “homem” toca a estratosfera. E Chiquinho tem muito carisma. Difícil mesmo é emplacar a insípida, inodora e incolor dona Dilma Roussef.  A “dama de ferro do Paraguai” tem tudo para chegar lá. Vale a pena recordar: a Dama de Ferro original foi a ex-primeira-ministra britânica Margareth Thatcher.

Lula tira essa contenda de letra. Menos por mérito do governo, mais pela incompetência da oposição tupiniquim. Afinal, o principal candidato oposicionista possui os mesmo atributos químicos da candidata oficial. E mais. José Serra tem fama de pé frio. Particularmente senti esse calafrio na pele. No dia da decisão da Copa Libertadores, recebi   telefonema de uma amiga de Bauru. Ela botou o dedo na ferida: “fiquei sabendo que Aécio Neves convidou Zé Serra para assistir ao jogo Cruzeiro x Estudiantes, aí no Mineirão. Vocês estão fritos. O nosso governador é o cara mais pé frio do mundo”. Resultado: a Raposa se ferrou. Pode ser mera coincidência. O time estrelado talvez tenha amarelado por outros motivos, independentes da presença do carecão azarado. Porém, convém colocar as barbas de molho quando o assunto envolve crenças e crendices.

Brincadeiras à parte, o panorama de momento não é nada animador para o candidato tucano. As últimas pesquisas de opinião trouxeram péssimas notícias para o mandarim da paulicéia. Um levantamento do Instituto Vox Populi revelou a seguinte situação, em janeiro desse ano: José Serra- 34%, Dilma Roussef -27%, Ciro Gomes- 11% e Marina Silva- 6%.  Em relação a uma pesquisa anterior, Serra caiu cinco pontos e a ministra de Lula subiu nove. Um desastre para a oposição. A diferença entre os dois adversários despencou consideravelmente nos últimos meses. E pior. O processo eleitoral ainda nem entrou em campo.

Outro levantamento, realizado pelo Instituto Sensus e bancado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostra uma situação bem mais desconfortável para o político bandeirante. Nele, Serra aparece com 33,2% dos votos, Dilma fica com 27,8%, Ciro Gomes atinge 11,9% e Marina Silva segue estacionada em 6,8%. É o resultado de uma pesquisa estimulada. A margem de erro é 3%. Esse percentual configura praticamente um quadro de empate técnico. Na espontânea, a petista já assume ligeiramente a liderança: Dilma conta com 9,5% e José Serra 9,3%. Os números foram divulgados no início de fevereiro.

E a própria natureza parece conspirar contra o candidato do PSDB. As chuvas, que caíram intensamente em São Paulo, despencaram com uma mensagem simbólica: a candidatura de José Serra fez água.

Algumas situações indicam que o PSDB pode trocar o seu candidato antes da Semana Santa. Nada mais natural. Afinal, a Quaresma é um momento oportuno para mudanças.

Aécio Neves aparentemente continua candidato a senador, embora na muda. Não abre a boca para nada. Saiu de cena. Mas age com intensa desenvoltura nos bastidores.  E até já arrumou um substituto para a disputa ao Senado. O ex-governador Itamar Franco ocupará a vaga do grão-tucano mineiro. Há indícios de que pintou um surto de pânico no ninho dos tucanos. O mais visível deles: o reaparecimento do precipitado, falastrão e arrogante Fernando Henrique Cardoso. FHC nunca deixou de ser sinônimo de desespero.

Enfim, José Serra perdeu totalmente o seu poder de competitividade. Aécio Neves já aparece como a única, última e viável cartada do PSDB. Alea Jacta Est.

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2 Comentários

  • Albino Machado Dias
    23 de fevereiro de 2010 | Permalink |

    Tenho dito e repito: Se nossos políticos fossem mais estadistas, nossos partidos menos personalistas, Serra se concentraria na re-eleição em São Paulo, para que em oito anos de governo, possa solucionar os problemas que afligem a população paulista (alagamentos, transito e violência). Aécio e Ciro fariam uma chapa, para que num governo de coalizão, possam assegurar os avanços dos governos FHC e Lula e fazer as reformas clamadas pela população (reformas: política tributaria e da previdência). Se assim fosse, o federalismo e a jovem democracia brasileira sairia fortalecido e, de quebra, sepultaria a política suja comandada pelo PMDB de Sarney, Renan, Temer, etc.Também, perderia força a política conservadora e patrimonialista do DEM de Agripino Maia, Marcos Maciel,César Maia, Eráclito Fortes,etc.
    Quanto ao desempenho eleitoral, certamente esta chapa ganharia, no primeiro turno,da candidata do presidente Lula.

  • 18 de março de 2010 | Permalink |

    Aécio é um entulho político endeusado pela imprensa mineira. A exemplo do avô presidente, aquele que foi sem nunca ter sido, Aécio pode ser candidato e a presidente em 2014, 2018, 2022…até ser lembrado como “aquele que foi sem nunca ter sido”.

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