Grupo Ponto de Partida apresenta peça sobre Drummond em Ipatinga

Os figurinos de época embelezam a montagem, repleta de poesias de Carlos Drummond de Andrade. (Foto: Divulgação)

Neste final de semana terminam as atividades relacionadas à 7ª Campanha de Popularização do Teatro e Dança em Ipatinga. Mas ainda há tempo para o público assistir um excelente espetáculo, em cartaz neste sábado (6), a partir das 20h, no Centro Cultural Usiminas. A peça chama-se “Drummond”, do Grupo Teatral de Barbacena, Ponto de Partida. O espetáculo, que está há dez anos em cartaz, promete instantes de delicadeza, harmonia e lirismo, envolvidos pelos poemas do autor; pelos atores, suas vozes e movimentos; e pelo figurino de época.

“Achamos que Drummond nasceu de um desafio e de um desejo – o de encenar uma obra prima e revelá-la. Queríamos um texto ‘mineiríssimo’ e nada regional. Queríamos uma palavra que fosse a síntese e esbarramos na palavra poética. Queríamos o cuidado, a sensibilidade e a eficiência suficientes para ilustrá-la. Dessa petulância nasceu ‘Drummond’”, informa Regina Bertola, diretora e roteirista da montagem. De acordo com ela, o grupo dividiu-se em equipes para a pesquisa do texto, da música e da luz. “E trabalhamos demais. A seleção dos textos demorou horas de discussões. O que encenar de uma obra vastíssima e fundamental? Como encenar? Por que encenar?”, conta a diretora.

Regina explica como chegaram ao consenso. “Decidimos que o critério de escolha seria o resultado da nossa paixão, não da nossa explicação. Artigos de Affonso Romano de Sant’Anna nos deram algumas sugestões de leituras e de Marina Colassanti, mas não tivemos em nenhum momento a pretensão de esgotar a obra do poeta ou fazer uma abordagem técnica”, explica.

A poesia

Outro aspecto importante para uma produção ímpar foi que o contato do grupo com Drummond não se deu por meio de biografia ou informações sobre o homem, mas apenas pela poesia. “E foi um encontro definitivo. De posse do material poético demos a ele o tratamento teatral. A luz, o figurino, as marcações cênicas foram criadas para cumprir uma ação. O espetáculo segue uma trajetória dialética, que vai da família, da cidade, da infância, ao amor, às questões existenciais, à idade madura, à velhice, à morte, sem que esta trajetória se estabeleça com clareza didática. É um trabalho que lida com o texto poético, mas que tem uma linguagem teatral fluente, ágil, determinada. Ele não chega a se definir como uma peça de teatro, mas muito menos como um recital. É um espetáculo que, em todo o seu desenrolar, manipula a beleza”, afirma.Regina tem observado que, onde quer que apresentem a montagem, o público que assiste é muito variado, muitos nem sequer conhecem a obra de Carlos Drummond de Andrade. “O que nos tem emocionado por onde encenamos ‘Drummond’, é que temos um público que vai de adolescentes a brancos velhinhos, de pessoas que jamais leram um verso a professores de literatura, de gente comum a artistas, e todos têm saído do teatro embriagados pelo poeta. E esse tem sido o nosso presente – ter podido ser o veiculo para que Carlos Drummond de Andrade nos empanturre de beleza e poesia”, declara a diretora.

Uma novidade na apresentação deste final de semana é a presença da jovem atriz Carolina Paixão, de Itabira. Ela se integrou ao grupo há algum tempo, e participara da montagem no Vale do Aço.

PONTO DE PARTIDA

O Ponto de Partida é um dos grupos teatrais mais cultuados do país. Foi fundado em 1980, em Barbacena, por artistas que decidiram que não deixariam a cidade, mas também não aceitariam os limites da província. Assim, tornou-se uma companhia de repertório, itinerante, independente, com 21 profissionais em exercício permanente, 30 espetáculos montados, com apresentações pelo Brasil, África, Europa e América do Sul.Nestes anos conviveu ou trabalhou com figuras referenciais da cultura brasileira como Milton Nascimento, Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Paulo Gracindo, Jorge Amado, Manoel de Barros, Álvaro Apocalypse, Maestro Ademarzinho, Adélia Prado, Bartolomeu Campos Queirós e com meninos, operários, policiais, anônimos que marcaram sua trajetória.

Experimentou vivências inesquecíveis em suas viagens. Apresentou-se na Angola, em plena revolução. Em Paris, onde representou o Brasil nos 50 anos da UNESCO e apresentou-se, anos depois, no Théâtre des Champs-Élysées, com os Meninos de Araçuaí e Milton Nascimento. Nas temporadas em Montevidéu, onde conviveu com o lendário diretor do El Galpon, Atahualpa del Cioppo. Em suas andanças pelo interior de Portugal, apresentando em antigos claustros, ruínas de castelos, teatros centenários, ou em dezenas de espaços por todo o Brasil. (Com informações do JVA)

Visite os canais de interatividade do Via

rsstwitterjpgorkutyoutube

Comentar

Seu e-mail nunca será publicado. Os campos são obrigatórios *

Nome:*
E-mail:
Site:
Escreva o seu comentário:*